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| Comediante baiano com grande popularidade nas décadas de 50 e 60 por sua participação em 36 chanchadas, que o marcaram como o primeiro personagem assumidamente mulherengo do cinema nacional, autor de piadas ingênuas que fizeram rir as platéias brasileiras de norte a sul. Filho de um boêmio deserdado pela família (casou-se com uma menina de treze anos), durante a infância Trindade passou fome em Salvador. Aos nove anos, teve publicado seu primeiro poema pelo jornal A Tarde, na Bahia. Para ajudar a mãe, arranjou emprego no Hotel Meridional, em Salvador, como boy e ascensorista. Dessa maneira, travou relações com intelectuais da época, ainda desconhecidos do grande público, como Dorival Caymmi e Jorge Amado. Acabou tendo um poema musicado por Antonio Maltez (parceiro de Caimmy) e com essa música ingressou na vida artística para nunca mais sair. Contando piadas e fazendo trovas, ganhou um programa de rádio, mas teve que trocar de nome para não chocar os conservadores da família com seu humor. Ídolo popular na Bahia, ele decidiu migrar para o sul e o sucesso nacional não tardou. Sua estréia no Rio de Janeiro aconteceu em 1945, quando passou a integrar o elenco de comediantes da Rádio Mayrink Veiga. Durante quinze anos seguidos, a emissora concedeu-lhe o prêmio de Melhor Cômico. No cinema, Nilton da Silva Bittencourt iniciou em 1949 participando da comédia O Malandro e a Grã-Fina, fazendo uma ponta atrás das grades de uma chefatura de polícia. Sete entre dez chanchadas produzidas pela Herbert Richers ou pela Atlântida levavam seu nome no elenco. Em 1959, interpretava um falso massagista no filme O Massagista de Madame, explicando a uma dondoca Renata Fronzi que não aprendera a massagear madames na Escandinávia, mas numa padaria do subúrbio carioca. Padaria era um dos eufemismos de nádegas, em evidência na época. A partir da década de 70 foi contratado pela Rede Globo, ganhando um quadro permanente nos programas Balança Mas não Cai e Chico Anysio Show. Não gostou desta última participação, afirmando na época que preferia o humor de Jô Soares, apesar de amigo do Chico. Fez o personagem Buster Keaton na minissérie Memórias de Um Gigolô, aparecendo em sete capítulos. Zé Trindade foi um criador de tipos. Ou, mais precisamente, de um tipo: o malandro que veio do nordeste e descobriu a fórmula de levar vantagem em quase tudo na então capital da República - um Macunaíma do desenvolvimentismo da década de 50. Ficou famoso com as frases: É lamentável!, Papelão!, O negócio é mulher!, Meu pudim vai bem?, Meu doce de coco, Minha jujuba! Apesar de feio e baixinho, consagrou-se com o tipo gostosão e cafajeste que não podia ver saia, nem dinheiro. Assim se explicam títulos de filmes como Pra Lá de Boa, Garotas e Samba, Mulheres a Vista e Mulheres Cheguei, este último de 1961. Tornava-se hilariante pelo ódio que nutria pelas sogras e mulher feia, aplicando-lhes apelidos como jararaca, cascavel de chocalho grande ou usando respostas como Eu ainda não estou apanhando xepa, minha filha. Com nomes como Anacleto, Isidoro, Polidoro, Mão Leve, Zeferino e Januário Jaboatão, Trindade participou também de filmes como Tem Boi na Linha (1957), Maluco por Mulher (1957), Espírito de Porco (1957), O Camelô da Rua Larga (1958), Mulheres À Vista (1958), Na Corda Bamba (com Ema D'Ávila e Arrelia, em 1959), Entrei de Gaiato (1960), Marido de Mulher Boa (1960) e Assim era a Atlântida (1975). Em 1987, ele atuaria em Um Trem para as Estrelas, de Cacá Diegues. Além do cinema, Trindade teve importante passagem pela música, chegando a gravar 25 LPs, sempre canções nordestinas e a maioria composições de sua autoria. Recebeu mais de 300 troféus e títulos, como o melhor cantor de música nordestina. Foi também o criador da palavra paquera, que vem de uma gíria de caçador, que significa caçar paca. Durante cinco anos foi dono do restaurante O Vatapá do Zé Trindade, em Ipanema, e publicou um livro de poemas, O Poeta Zé Trindade, com prefácio de Jorge Amado e capa de Caribé. Casado durante 50 anos com Dona Cleusa, tiveram um filho, Ricardo, responsável pela Zé Trindade Produtos Alimentícios da Bahia Ltda. Trindade faleceu aos 75 anos, em 4 de maio de 1990. |
| Filmografia 1946: O Cavalo 13 1947: O Malandro e a Grã-Fina 1948: Fogo na Canjica 1949: Pra Lá de Boa 1949: Inocência 1951: Agüenta Firme, Isidoro 1951: Tocaia 1951: O Meu Dia Chegará 1951: Anjo do Lodo 1952: O Rei do Samba 1954: Rei do Movimento 1955: Trabalhou Bem, Genival 1955: O Primo do Cangaceiro 1956: Tira a Mão Daí! 1956: Depois Eu Conto 1956: Genival É De Morte 1956: O Negócio Foi Assim 1957: Rico Rí a Toa 1957: Tem Boi na Linha 1957: Maluco por Mulher 1957: Espírito de Porco 1957: Garotas e Samba 1957: Treze Caldeiras 1958: Aguenta o Rojão 1958: O Batedor de Carteiras 1958: O Camelô da Rua Larga 1958: Agüenta o Rojão 1958: Mulheres À Vista 1959: Na Corda Bamba 1959: O Massagista de Madame 1960: Entrei de Gaiato 1960: Marido de Mulher Boa 1960: O Viúvo Alegre 1961: Mulheres Cheguei 1962: Bom Mesmo É Carnaval 1970: Jesus Cristo, Eu Estou Aqui 1971: Cômicos e Mais Cômicos 1975: Assim era a Atlântida 1975: Tem Folga na Direção 1987: Um Trem para as Estrelas |
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