Poeta, compositor e diplomata, cursou a Universidade de Oxford na Inglaterra e foi cônsul do Brasil em Los Angeles, tendo sido afastado do Itamaraty pelo AI-5, em 1968. Além de peças de teatro, foi censor cinematográfico, crítico de cinema e advogado. Entretanto, tornou-se realmente consagrado pelo público brasileiro por ter sido o autor de verdadeiros clássicos da bossa nova, como A Felicidade, Se Todos Fossem Iguais a Você, Chega de Saudade, Garota de Ipanema, Marcha da Quarta-Feira de Cinzas, Samba da Benção, Tarde em Itapuã, Berimbau, Insensatez e Por Toda a Minha Vida, em parceria com Carlos Lyra, Baden Powell, Edu Lobo, Francis Hime, João Gilberto, Chico Buarque, Tom Jobim e Toquinho, com este último durante onze anos. Tendo estreado na literatura em 1933, Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes escreveu Forma e Exegese (1935), Livro de Sonetos, Cinco Elegias (1943), O Caminho para a Distância (1933), Ariana, a Mulher (1936) e Para Viver um Grande Amor (1965).
Antes de publicar seu primeiro livro, em 1928 ele compôs, em parceria com os irmãos Paulo e Haroldo Tapajós, dois grandes sucessos: Loura ou Morena e Canção da Noite. Foi também parceiro de Ary Barroso, Ciro Monteiro e Antonio Maria. Em 1959, Orfeu Negro ganhava a Palma de Ouro do Festival de Cannes, uma adaptação para o cinema de sua peça Orfeu da Conceição. Vinicius nasceu no bairro da Gávea, Rio de Janeiro. O pai, Clodoaldo Pereira da Silva Moraes era apaixonado por latim, e por essa razão, resolveu dar esse nome ao filho. O menino começou a escrever seus poemas aos 9 anos, e sempre teve como inspiração a mulher. Definia-se como um "mulherólogo".
Oficialmente, Vinicius teve 9 mulheres: Tati, Regina, Líla, Maria Lúcia, Nelita, Cristina, Gesse Gessy, Marta Ibañez e Gilda Barroso, e 5 filhos: Susana, Pedro, Georgina, Luciana e Maria. Tati, foi a única com a qual o poeta casou-se no civil. Teve com ela os filhos Suzana e Pedro. E foi nela, que ele se inspirou para criar os versos da música Eu sei que vou te amar. Nessa época, que estava com Líla, conheceu Tom Jobim, e convidou-o para musicar a peça Orfeu da Conceição. Desta parceria, surgiram músicas símbolo da bossa nova, como Garota de Ipanema, inspirado em Helô Pinheiro, na época, com 15 anos. Em 1957, depois de 8 meses de amor escondido - pois ambos eram casados - Vinicius casou-se com Lucinha Proença, seu grande amor e fonte de inspiração para a música Para Viver um Grande Amor. A paixão durou até 1963. Em 1966, foi a vez de Cristina Gurjão, 26 anos mais jovem e 3 filhos. Em 1968, nasceu a sua 5ª filha, Maria. No segundo semestre de 69, conheceu Toquinho.
Em 1970, no seu 57º aniversário, Vinicius fez de Gesse, então com 31 anos, em sua 7ª esposa. Separado, em 1975, ele se declarou apaixonado pela poetisa argentina Marta Ibañez. Ele tinha quase 40 anos a mais do que ela. Em 1972, depois de um show para estudantes, uma delas, a menina Gilda Barroso conseguiu um autógrafo do astro Vinicius de Moraes. Quatro anos mais tarde, eles estariam juntos. Na época, Gilda contava com 23 anos e o poeta, 63. Em 8 de julho de 80, acertando detalhes do LP Arca de Noé, com Toquinho, Vinicius, cansado, disse que iria tomar banho. Toquinho foi dormir. Na manhã do dia seguinte ele foi acordado pela empregada, dizendo que Vinicius encontrava-se na banheira com dificuldades para respirar. Toquinho saiu correndo para socorrê-lo. Atrás dele, foi Gilda. Vinícius não teve tempo de ser socorrido. Em seu enterro, a esposa, Gilda lembrava-se da declaração feita a ele na noite anterior. Quando perguntado se ele tinha medo de morrer, ele serenamente respondeu: Eu não estou com medo da morte. Estou é com saudade da vida. Em outubro de 1993, era lançado Songbook Vinicius de Moraes, em três volumes e três discos, com suas canções interpretadas por mais de 60 artistas da primeira linha da MPB. Estão incluídas Soneto de Separação, Caminho de Pedra, Modinha, Tempo Feliz, Serenata do Adeus, O Morro Não Tem Vez, Onde Anda Você, O Nosso Amor, Derradeira Primavera e O Velho e a Flor.
Em 1972, estreava o musical Encontro, que reunia no palco do Teatro da Praia no Rio de Janeiro Marília Medalha, Toquinho e o Trio Mocotó, além, naturalmente, do poetinha (como era carinhosamente chamado pelos amigos). Relembrava sua infância na casa dos avós, tios, primos, sua mãe e a bola de meia, do tempo de rapaz e o remo que praticava no Botafogo. A irmã Lígia guardava com carinho seus primeiros poemas, feitos para duas namoradas. Tinha, então, sete anos. Seu comentário a respeito do assunto: Uma, era a namorada romântica, a outra a da pilantragem, causadora, aliás, do meu primeiro impacto. Beijou-me na missa, em plena hora da comunhão. Naquela época era um crente. Achei um desrespeito... Deixei de crer em certas coisas há muito tempo. Agora quero ver para crer. Não interessa salvar-me, se não posso salvar meus amigos. Não lutarei pelo reino dos céus, pois sei que lá não encontrarei Gesse (sua paixão na época), meu uísque e um bom papo, pois o Tom vai para o inferno. Sua biografia foi lançada em 1994, Vinicius de Moraes, o Poeta da Paixão - Uma Biografia, do jornalista José Castello. O poetinha faleceu aos 66 anos, em 9 de julho de 1980. |