Famosa pianista brasileira nascida em Jaboatão, Pernambuco, especialista em chorinhos. No início do século, aos quatro anos de idade, já tocava piano de ouvido. Aos doze anos compôs a valsa Gratidão e, aos quinze, recebeu o diploma em Lisboa. Casou-se aos 17 com um rico fazendeiro escolhido pelo pai e foi viver na fazenda do sogro, em Jaboatão. Transtornou a vida do lugarejo pelas contínuas festanças que promovia: uma, na casa-grande, onde reunia artistas e intelectuais e outra, no pátio, para os trabalhadores e o povo da cidade. Os convidados acabavam geralmente abandonando os salões para assistir os divertimentos populares que organizava: bumba-meu-boi, cavalo-marinho, fandango e quadrilhas.  Era assim que compensava a frustração por não ser artista, seu desejo desde criança mas proibido pelo pai e posteriormente pelo esposo. Dois anos depois de casada, seu sogro faleceu e o marido, que pouco entendia de negócios, começou a dissipar a herança. Em breve teve que vender a fazenda e o engenho. Não resistiu ao choque que isso lhe causou e morreu no ano seguinte, vítima de um colapso.

Amélia ficou viúva aos 25 anos, com quatro filhos para educar. Sem recursos, vendeu até o piano para alimentá-los. Depois de muitas privações, um dia tocou piano num recital de caridade, deixando entusiasmado o governador do Estado com sua interpretação. Graças a ele, conseguiu fazer uma turnê de seis anos, durante a qual pôde realizar-se como pianista internacional. Recomendada junto aos governos, em 1933, visitou as três Américas em companhia da filha Silênia, também artista. Jantou em Washington com o presidente Roosevelt, tocou no Imporium Americano e foi amiga de diversas celebridades, como Greta Garbo e Shirley Temple. Permaneceu por dois anos na Venezuela, onde estudou o folclore do país. De volta ao Recife, foi contratada pela Rádio Clube, e lá começou seu trajeto artístico pelo Brasil. Chegou a tocar com o compositor Ernesto Nazareth na década de 20 e trabalhou em várias emissoras de rádio no Rio de Janeiro. Em 1937, tinha acumulado o bastante para viver abastada. Casou sua filha e foi viver em Goiás, decidida a não tocar mais em público. Voltou ao meio artístico somente em 1954, incentivada por Carmélia Alves e Ari Barroso. Começou em São Paulo, pela TV Record, com Renato Consorte. Muita gente pensava que ela era caloura em idade avançada.

Amélia voltou a Goiás, onde ficou dois anos inativa, mas não resistiu à nostalgia. Escrevia músicas e tocava o dia inteiro, sem ninguém para escutar. Assim, com setenta anos de idade retornou definitivamente à vida artística e passou a atender todos os convites que recebia com bom humor e animação constantes. Incansável, Tia Amélia apresentou na TV Rio o programa Velhas Estampas, onde tocava antigos chorinhos e recordava histórias de seu tempo. Na TV Tupi, participou de um programa interpretando choros brasileiros. Seu nome completo era Amélia Brandão e percorreu meio século de carreira musical. Mário de Andrade, em seu ensaio Música, Doce Música, estabelece a década de 70 do século XIX como fase básica do surgimento, evolução e fixação do que, mais tarde, viria a se constituir no choro. E, segundo pesquisas de Julio Medaglia e Altamiro Carrilho, o choro surgiu no Brasil em 1877 com a música Flor Amorosa, de Joaquim Calado, editada somente em 1880, poucos meses depois da morte do compositor. No mesmo ano, uma polca de Chiquinha Gonzaga, Atraente, seria tocada como choro pelos conjuntos da Cidade Nova, no Rio. Tia Amélia faleceu aos 87 anos, em 18 de outubro de 1983.           
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