Ator de teatro e televisão natural de Belém do Pará e formado em Direito no Rio de Janeiro, demonstrava extraordinária capacidade de interpretar os mais difíceis personagens, o que equiparava-o aos grandes artistas de renome internacional. Antes da profissão que lhe trouxe a fama, Sergio deu preferência ao esporte, ganhando várias medalhas em campeonatos de natação. Depois, voltando-se para a arte dramática, aos 23 anos encenou Hamlet no Teatro Fênix do Rio de Janeiro e foi elogiado pela crítica na ocasião. Na noite de estréia, deixou a platéia boquiaberta, pois tinha talento demais para um simples amador. Sérgio saiu do anonimato naquela noite e, ao longo de 24 anos de carreira, encarnou mais de 100 personagens. Interpretou obras de Pirandello, Camus, Sartre, Oscar Wilde e Guilherme Figueiredo e foi considerado o melhor ator das peças de Sheakespeare dentro do cenário teatral brasileiro. Sérgio mudou-se de sua cidade natal para São Paulo na década de 50. Morou vários anos no Bexiga, bairro boêmio da capital paulista.

A partir de 1964, Sergio estreou nas telenovelas, conquistando uma enorme popularidade com O Sorriso de Helena, na TV Tupi. Ainda na mesma emissora, fez O Direito de Nascer, personificou o Dr. Valcourt em O Preço de uma Vida, com grande recurso de maquilagem para a época. Em seguida, atuou em O Cara Suja, Nino, o Italianinho e atraiu para a TV Tupi índices de audiência jamais conquistados em Antonio Maria, de 1969. No horário da novela, comícios da campanha eleitoral eram adiados, assim como cerimônias religiosas. Em Barretos, um morto ficou solitário no velório, enquanto a viúva, parentes e amigos passavam para a sala ao lado, a fim de não perder o capítulo do dia. Em Minas, Sergio Cardoso deixou em segundo plano dois governadores, ao receber o título de cidadão honorário de Alterosa. Na Globo, o ator participou das novelas A Cabana do Pai Tomás, Pigmaleão 70, Assim na Terra como no Céu e do especial O Médico e o Monstro, em 1972.

Seu nome, entretanto, confunde-se com o teatro, tendo registrado sua presença nos palcos do Teatro do Estudante do Brasil, Teatro dos Doze e na Companhia Dramática Nacional, Companhia Municipal de Comédia do Rio de Janeiro, Companhia Jayme Costa e as Companhias de Henriette Morineau e de Cacilda Becker. Na fase áurea do Teatro Brasileiro de Comédia - TBC, dividia com Cacilda Becker a posição de primeiros atores. Entre suas encenações populares, destacam-se o papel de padeiro em A Canção dentro do Pão, o de Esopo em A Raposa e as Uvas e o de marido enganado em A Falecida (1953), da autoria de Nelson Rodrigues. Sua atuação em Seis Personagens à Procura de um Autor também recebeu amplos elogios, além de O Mentiroso (1949), A Filha de Iório (1954),  Lampião (1954) e Um Estranho Bate à Porta (1961).

Foi no TBC que Sergio viria a conhecer Nídia Lícia, que se tornaria sua mulher e mãe de sua única filha. Juntos, fundaram uma companhia própria e estrearam no Teatro Bela Vista com Hamlet, onde o ator dirigiu e interpretou a figura do Príncipe da Dinamarca. Foi agraciado quatro vezes com o prêmio Governador do Estado e quatro vezes com o prêmio Saci, entre outros. Nas telas, atuou em Ângela (1951), A Madona de Cedro (1969) e Os Herdeiros (1970), de Cacá Diegues. Sua morte causou comoção nacional, vitimado por um ataque cardíaco quando interpretava o galã da novela O Primeiro Amor, da Rede Globo. Foi substituído por Leonardo Villar. Sergio Cardoso faleceu aos 47 anos, em 18 de junho de 1972.

Trabalhos para a TV

O Médico E o Monstro (1972)
Meu Primeiro Baile (1972)
O Primeiro Amor (1972)
O Crime do Silêncio (1971)
A Próxima Atração (1970)
Pigmalião 70 (1970)
A Cabana do Pai Tomás (1969)
Antônio Maria (1968)
O Santo Mestiço (1968)
Paixão Proibida (1967)
Calúnia (1966)
Somos Todos Irmãos (1966/II)
O Anjo e o Vagabundo (1966)
O Preço de uma Vida (1965)
O Cara Suja (1965)
O Sorriso de Helena (1964)
Olhai os Lírios do Campo (1961)
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Sergio Cardoso
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