Conhecida intérprete da música negra norte-americana, considerada a rainha do jazz, pertencia ao fechado clube das cantoras do ritmo americano consideradas estrelas permanentes, como Ella Fitzgerald, Anita O'Day e Billie Holiday. Afilhada do legendário saxofonista Charlie Parker, Sarah conquistou a fama em 1947 com a gravação de It's Magic, época em que mais de dois milhões de cópias foram vendidas. Usando a voz como instrumento e valendo-se do scat singing (improviso sem palavras) ela chegava a duelar com pistons e saxofones. Era a divina Sassy do jazz, hábil por toda a vida em derramar uma cascata imprevisível de notas, do grave ao agudo, num segundo.
Nascida em Newark, de família com inclinação para a música, Sara aprendeu órgão e piano ainda criança, quando participava também do coral da Igreja Batista. Fugiu de casa aos 16 anos e aos 19 conquistava o primeiro lugar num concurso para cantores amadores no Harlem. Em 1946, gravou seu primeiro disco, If you Could See me Now e, em 47 anos de carreira, lançou cerca de l00 LPs. Clássicos, como Round Midnight, de Thelonius Monk, eram as peças mais aplaudidas de suas apresentações. Visitou o Brasil pela primeira vez em 1959 e incluiu a música brasileira em seu repertório, como Feelings, de Morris Albert, e Waves, de Tom Jobim.
Em 1979, gravou Exclusivamente Brasil e, em 1987, Brazilian Romance. Chegou a se apresentar em território nacional cerca de uma dezena de vezes, sendo sua última performance em agosto de 1989. Com os jornalistas brasileiros mantinha uma eterna peleja verbal, desde que atingira as cabeças de alguns deles com violentos golpes de uma bolsa cheia de estojos de pó de arroz. Afirmou certa vez que gostava mais de feijão com arroz do que de Nina Simone e que, numa outra encarnação, gostaria de nascer cachorro de milionário brasileiro, pois ninguém come melhor. Miss Vaughan, que jamais atendia quando chamada simplesmente por Sarah, foi agraciada com o troféu Grammy em 1982. Sarah Vaughan faleceu aos 66 anos, em 4 de abril de 1990. |