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ailarino russo de fama mundial, considerado um dos maiores mitos do balê clássico e o maior desde Vaslav Nijinsky, seu lendário conterrâneo que dominou os palcos do balé no início do século. Criado na Tartária, a leste dos Urais, filho de camponeses, aos 17 anos Rudolf foi admitido na consagrada Escola de Ballet Kirov. Naturalizado austríaco, apresentou-se na década de 60 no Royal Ballet de Londres ao lado da legendária bailarina Margot Fonteyn e, pouco antes de morrer, recebeu uma honraria do Ministro da Cultura da França, Jack Lang, na Ópera Garnier, em Paris. Em 1989, uma de suas últimas apresentações no palco aconteceu em Leningrado, ao lado do Ballet Kirov, a companhia na qual começou sua carreira e que abandonou em meio a uma temporada européia em 1961.

Na época, de temperamento forte, ele discutiu com os diretores do balê, recebendo a ordem para voltar imediatamente para a União Soviética. No próprio saguão do aeroporto em Paris, na hora do embarque, correu em direção a dois policiais franceses e fez um pedido dramático de asilo no país. Poucos dias depois de sua deserção, ele foi abordado na rua durante uma manifestação do Partido Comunista por um contato, que lhe propôs passar seis meses no Ocidente e seis na Rússia. Sua mãe e suas irmãs, Rosa, Rosida e Lida, continuaram vivendo em Moscou.  Na capital francesa, Nureyev foi a encarnação do nobre selvagem de Rousseau, inocente das máculas da civilização. Tinha medo de injeções, nunca entrara num táxi e foi classificado pela atriz Jeanne Moreau como um assustado animal selvagem. De boas maneiras ele pouco entendia. Levou meses para aprender a dizer bom dia. Por favor e obrigado levaram mais tempo. Entretanto, ele preservou uma disciplina artística rigorosa, com capacidade de misturar o primitivo e o refinado audaciosamente.

Em 1975, o New York Times rendia-se ao seu excepcional talento e referia-se a Nureyev como um prodígio que tornou a dança uma arte difícil mas possível de ser conquistada. Nas telas, ele chegou a atuar numa produção inglesa, 'Valentino, o Ídolo, o Homem', ao lado de Leslie Caron em 1977, dirigido por Ken Russel, e, em 1983, fez 'Exposed', ao lado de Nastassja Kinski. Em 1982, Nureyev obteve da Áustria um novo título de nacionalidade e passaporte regular. A França, que o acolheu primeiro como apátrida, contratava o bailarino, em 1983, como diretor de balê e coreógrafo do Teatro da Ópera de Paris, tendo se apresentado com a companhia em Nova York, no Metropolitan Ópera House. Na mesma cidade, dançou com Mikail Baryshinikov na comemoração do centenário da estátua da Liberdade.  Depois de passar a viver no Ocidente, Nureyev afirmava lamentar algumas coisas. Uma delas teria sido não ser aceito na companhia de balê New York City em 1962, pelo fato do bailarino não fazer 'pas de Deux'. Outra e ele não ter deixado que Sir Frederick Ashton o ensaiasse nos clássicos do século XIX, quando entrou para o Royal Ballet. 'Eu não aceitei esse relacionamento com Ashton. Quando a gente sai da Rússia, tem implantado no cérebro que um bailarino de Kirov sabe melhor que qualquer outro como dançar os clássicos. Isso nos separou'.

Nureyev veio quatro vezes ao Brasil e, embora com a reputação de gênio da dança e fama de astro temperamental e violento, surpreendeu a todos com inabalável bom humor e enorme paciência para perguntas, fotografias e autógrafos. Sorridente e brincalhão, na visita de 1988 reclamou apenas da ausência do sol tropical. O dançarino morreu aos 54 anos, em 6 de janeiro de 1993.
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Rudolf Nureyev
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