Um dos personagens mais aplaudidos e discutidos da nouvelle vague, o movimento cinematográfico francês da geração do pós-guerra. Vadim Plemmianikov nasceu em Paris numa rica mansão do século XVI, num bairro elegante da alta burguesia, de pai russo e mãe francesa. Nobre e diplomata, a serviço da corte do czar, seu pai era um brilhante segundo-secretário da embaixada em Paris. Com a revolução bolchevique de 1917, entretanto, o conde Plemmianikov ficou sem emprego e sem brasão. Tornou-se antiquário e, em pouco tempo, reuniu boa clientela e bastante dinheiro. Quando se casou em 1924, o templo ortodoxo de Paris recebeu toda a colônia russa e os noivos tiveram como padrinhos os príncipes Romanoff, herdeiros do czar, trucidado em 1918. Vadim foi ator de teatro, assistente de direção, roteirista e jornalista, tendo sido repórter do Paris-Match desde o primeiro número, quando apareceu em 1949. Em 1956, ele criou o mito La Bardot, com quem se casou quando ela tinha apenas quinze anos. Com todas as qualidades de uma criança e também com todas as fraquezas, inseguranças, caprichos e egoísmo, somente seu amor por ele fez com que ela entrasse para o cinema, protagonizando ...E Deus Criou a Mulher (Et Dieu...Créa la Femme), que a transformou, da noite para o dia, num símbolo sexual.
Sincero, mórbido, amoral, licencioso, inteligente, estúpido, profundo, convencional, vazio, cínico, puritano, podre. Eis alguns adjetivos usados pelos críticos com respeito à primeira obra de Vadim. O cineasta também foi o responsável pela descoberta da beleza e dos talentos das atrizes Catherine Deneuve e Jane Fonda. Jamais teriam chegado ao estrelato se não tivessem tido a sorte de conhecê-lo e casado com ele. Deneuve tinha dezessete anos e cabelos negros quando a conheceu, sendo extremamente introvertida, insegura e muito preocupada por ser a sombra da irmã, a atriz Françoise Dorleac. Fonda, ao se conhecerem quando ela tinha 25 anos, era a única das três que poderia ser considerada uma atriz em potencial, por ser uma mulher de muitas ambições. Casaram-se em 1965 e Vadim a lançou internacionalmente em Barbarella em 1968, um fracasso comercial que não arrecadou a terça parte de seus custos. Em 1986, ele lançou a polêmica publicação autobiográfica Bardot, Deneuve e Fonda. O livro relata detalhes de alcova com as três atrizes e explica porque a convivência, nos três casos, tornou-se insuportável para ele. Problemas nas relações íntimas com Fonda, violentos choques de personalidade com Deneuve, traições de Bardot (Vadim era homem de muitas mulheres e Bardot mulher de muitos homens), Vadim não esqueceu nenhum detalhe. Ele também namorou Elsa Martinelli, Françoise Hardy e um sem número de mulheres famosas.
Em 1959, Vadim fez As Ligações Perigosas e, no ano seguinte, Rosas de Sangue, com a atriz Annette Stroyberg, com quem se casou e teve uma filha. Em 1961 fez O Vício e a Virtude (Le Vice et la Vertu) e, no ano seguinte, Satã Conduz o Baile, com Catherine Deneuve, que lhe deu um filho, Christian. Em 1964, fez A Ronda do Amor (La Ronde) e, em 1967, O Perigoso Jogo do Amor (La Curée, com Jane Fonda, que lhe deu uma menina, Vanessa. Com Bardot ainda fez Vingança de Mulher (Les Bijoutiers du Clair de Lune) em 1958, A Rédea do Pescoço/Torneio de Amor (La Bride Sur le Cou) em 1961, O Repouso do Guerreiro (Le Repos Du Guerrier) em 1962 e Se Don Juan Fosse Mulher (Et Si Don Juan Était Une Femme?) em 1973. Da união entre Roger e Brigitte não nasceram filhos. Em 1967, ele filmou um dos episódios de Histórias Extraordinárias (Histoires Extraordinaires) e ainda realizou Sabe-se, Realmente?, Castelos na Suécia e Garotas Lindas aos Montes (Pretty Maids All in a Row), este último em 1971, com Rock Hudson. Vadim faleceu aos 72 anos, em 11 de fevereiro de 2000. |