Com uma vida atribulada, Renato era alcoólatra desde a adolescência e chegou a frequentar os Alcóolicos Anônimos. Até 1989, se declarava heterossexual, tinha namoradas e levava fãs para o quarto do hotel após os shows. No ano seguinte, para surpresa até dos amigos, passou a se declarar homossexual e a escolher apenas parceiros do mesmo sexo. Filho de um economista do Banco do Brasil, Renato Manfredini Júnior, seu nome na vida real, nasceu na Ilha do Governador, Rio de Janeiro. Aos 4 anos de idade, iniciou seus estudos de piano e aos 5 já sabia ler e escrever. Dos 7 aos 10 anos viveu em Nova York com a família e, na volta, se estabeleceram em Brasília. Sempre foi o primeiro da classe. Tendo aprendido a falar inglês em apenas dois meses, aos 13 anos, Russo logo ingressava na Cultura Inglesa, como professor.
Ainda adolescente, passou dois anos inválido, por causa de uma doença que lhe atacara os ossos. Recuperado, fundou o primeiro grupo, Aborto Elétrico em 1978, um dos precursores do movimento punk brasileiro. Somava-se ao grupo Felipe Lemos, do conjunto Capital Inicial, tocando rock em sorveterias da moda e na porta de festinhas dos rapazes ricos da cidade. O Aborto Elétrico terminou no início de 1982. Criado no final desse mesmo ano, o estilo musical do Legião Urbana foi definido em 1986, com a gravação do álbum "Dois", que alcançou um extraordinário sucesso, vendendo mais de um milhão de cópias. Além de Renato, faziam parte do conjunto Dado Villa-Lobos e Renato Rocha. Em 1990, lançavam "As Quatro Estações", no qual trocaram o som pesado que marcava suas gravações anteriores por melodias mais elaboradas e românticas. Renato até colocou música num soneto de Camões, em "Monte Castelo", e o grupo emplacou seis faixas do disco nas emissoras de rádio. O intérprete gravou dois discos solo, um sobre seu engajamento gay, The Stonewall Celebration Concert, de 1994, onde homenageava os 25 anos do levante da comunidade gay no Village, em Nova York, contra a violência policial. O segundo foi Equilíbrio Distante, de 1995. Renato morreu aos 36 anos, em 11 de outubro de 1996. |