Maestro, instrumentista, arranjador e compositor natural de Porto Alegre, considerado um dos mais completos músicos brasileiros deste século, conquistou expressiva popularidade ao participar em shows da Rede Globo, onde permaneceu por vinte anos e dirigiu a orquestra da emissora. Começou os estudos no conservatório musical de sua terra natal, formando-se como pianista. Completou-os na Escola Nacional de Música, no Rio de Janeiro, onde conquistou uma medalha de ouro em 1924. Foi contratado pela Rádio Nacional durante o período de 30 anos, desde sua inauguração em 1936. Por muito tempo dividiu sua atividade artística entre a composição de música erudita e a orquestração e regência de música popular. Decidindo-se pela popular, fez arranjos para sambas, choros e marchas. Em duas excursões à Europa, se apresentou em quase todos os países, inclusive em Israel. Permaneceu oito meses em Buenos Aires. Autor de 184 composições eruditas, 149 chorinhos e sambas, registrados em 70 discos de 78 rotações e 118 LPs, consistindo de l3 Brasilianas para instrumentos e sinfônicas, 22 concertos para instrumentos variados e orquestra, uma sinfonia popular, 6 sonatas para instrumentos variados e 10 estudos para violão (editados em Los Angeles). Gnattali foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Música. Ao lado de Francisco Mignone e Camargo Guarnieri, tornou-se, após Villa-Lobos, o grande tradutor da música erudita para o público brasileiro. No campo erudito, o maestro introduziu melodias e ritmos populares, e no campo popular elaborou harmonias ousadas, conferindo às suas obras uma escritura muito à frente do seu tempo. Nos anos 50, o maestro causava furor na música brasileira ao montar um conjunto de formação inédita: aos tradicionais piano, baixo, bateria e cavaquinho ele juntou uma guitarra elétrica e um acordeão. O conjunto apresentou uma música empolgante, fazendo com que a ousadia lograsse êxito e tornando Gnattali um dos mais criativos maestros do país. Gnattali também compôs a trilha sonora dos filmes Ganga Bruta (de Humberto Mauro e rodado em 1933), Maria Bonita (de Julien Mandel, em 1936), Argila (de Humberto Mauro, em 1940) e Rio 40 Graus (de Nelson Pereira dos Santos, em 1955). São também de sua autoria as músicas para as comédias de Mazzaropi e Zé Trindade. Entre seus discípulos, figuram Wagner Tiso, Egberto Gismonti, César Camargo Mariano e Tom Jobim. Este último comentou, por ocasião de sua morte: Todos nós somos filhos de Radamés. O compositor faleceu aos 82 anos, em 3 de fevereiro de 1988. |