Notável ator e um dos maiores nomes do teatro brasileiro, nascido no Rio de Janeiro, onde estudou na Escola de Arte Dramática Municipal (dirigida por Coelho Neto), sendo seu mais brilhante aluno. Em 19l6, ingressou na Companhia de Lucilia Peres e no ano seguinte estreou no Teatro Carlos Gomes com a peça Amigo, Mulher e Marido. João Álvaro de Jesus Quental Ferreira foi contemplado com uma surpreendente coleção de prêmios e distinções, tendo participado de 422 peças de teatro ao longo de mais de 60 anos de carreira. Sua companhia teatral durou 39 anos e teve sob contrato cerca de 120 atores e 130 atrizes. Passou por mais de 220 cidades, se apresentando em lugares onde as montagens teatrais jamais ousaram chegar. Procópio estudou na Escola Modelo Afonso Pena, no Colégio do Mosteiro de São Bento e Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Seu primeiro contato com o teatro foi aos seis anos de idade, quando assistiu a um espetáculo infantil e se emocionou de tal maneira que jamais esqueceu o episódio. Foi expulso de casa quando seu pai, um próspero negociante português, ficou furioso ao ver que o filho trocava as aulas de Direito pelas de um curso de teatro.

Seu nome artístico, no início, era João Ferreira, mas no segundo papel que interpretava, em A Cabana do Pai Tomás, substituiu o João pelo Procópio. Afirma-se que numa de suas primeiras chances no palco, fazendo apenas uma ponta na qual deveria barbear um personagem, resolveu chamar a atenção do público sobre si. Em plena cena, sacou uma enorme navalha que mandara confeccionar previamente, arrancando gargalhadas do público e aplausos efusivos. Com isso, acabou ganhando uma participação maior e escolheu definitivamente o seu gênero, o de comediante. Procópio trabalhava no comércio durante o dia e também num escritório de advocacia, onde fazia limpeza e servia de garoto de entregas. Assim, garantia a continuação de seu curso de arte dramática. Em 1918, entrava para a Companhia Gênero Teatro Chatelet, com Paschoal Segreto. Até então em papéis secundários, em 1920 torna-se protagonista pela primeira vez, em Onde Canta o Sabiá. O jovem ator chama a atenção sobre seu trabalho e atrai o ciúme de todos os companheiros e diretores. Em seguida, entra na Companhia Itália Fausta, atuando no Teatro Politeama do Meyer.

Em 1924, Procópio funda sua própria companhia e, logo na segunda peça encenada, consegue êxito de bilheteria e crítica. Procópio criou papéis importantes, como o personagem de O Avarento, de Molière, e um dos mendigos da peça Deus Lhe Pague, de Joracy Camargo e escrita especialmente para ele. A montagem trouxe-lhe a consagração em 1932, transformando-se no maior sucesso de sua carreira e um dos maiores do teatro mundial. Encenou a peça 3.621 vezes, até o ano de 1968. Estimado em todas as camadas sociais, Procópio percorreu o país representando e promoveu conferências. Esteve em Portugal em 1935. Certa vez, atraiu a atenção de professores e alunos no auditório da Faculdade de Direito da USP, que o carregaram em triunfo após uma original palestra onde se riu mais do que se escutou. Entre suas apresentações, também destacam-se: O Judeu, Em Família, O Vendedor de Gargalhadas, Anacleto, Maria Cachucha, A Viúva Alegre, A Casta Suzana, Sonho de Valsa, O Juriti, Amor Bandido, Serpentinas Líricas, As Pastorinhas e A Princesa dos Cajueiros. Em 1976, encenou Esta Noite Choveu Prata, de Pedro Bloch, onde protagonizava um português, um italiano e um velho ator brasileiro.

É de sua autoria vários livros sobre a arte de representar, tendo publicado Como se Faz Rir e O que Penso quando não Tenho em que Pensar em 1967. Sua passagem pelo cinema brasileiro também foi importante, onde estrelou Coisas Nossas (1931), Pureza (1940, interpretando José Lins do Rego), O Comprador de Fazendas (1951, baseado num conto de Monteiro Lobato), O Homem dos Papagaios (1952, com Hélio Souto e Eva Wilma), Quem Matou Anabela (1956, interpretando o comissário Ramos), O Trevo de Quatro Folhas, Titio não e Sopa (1963) e Em Família (1971, seu último trabalho nas telas e pelo qual recebeu o prêmio Air France). Procópio foi quem mais lançou novos talentos na arte cênica e se caracterizou por prestigiar autores nacionais, mantendo-os muitas vezes sob contrato de exclusividade.

O ator era famoso por seu temperamento imprevisível, tendo se apaixonado pela bailarina Aída Izquierdo e casado com ela em 192l, quando trabalhava na companhia dramática de Abigail Maia e Oduvaldo Viana. Tiveram cinco filhos, entre eles, Bibi, a única a seguir os passos do pai. Aos 8 meses ela aparecia no palco, na comédia Manhãs de Sol, do próprio Oduvaldo Viana. Conduzindo sua vida financeira entre altos e baixos, Procópio acabou se separando de Aída e, em 1950, casou-se novamente, tendo mais três filhos. Em 1955, foi para Paris, onde passou os cinco anos seguintes. Fez grandes amizades, entre elas, Maurice Chevalier, Mistinguette e Josephine Baker. Em 1976, Procópio virou enredo de Escola de Samba (Mocidade Alegre, com o tema Procópio Ferreira, uma vida no palco. O ator faleceu aos 80 anos, em 18 de junho de 1979.

Filmografia

1917: A Quadrilha do Esqueleto
1925: Um Senhor de Posição
1931: Coisas Nossas 
1936: O Trevo de Quatro Folhas
1938: Tererê Não Resolve 
1940: Pureza 
1944: Berlim na Batucada
1951: O Comprador de Fazendas
1952: O Homem dos Papagaios
1954: A Sogra
1956: Quem Matou Anabela
1963: Titio Não é Sopa 
1965: Crônica da Cidade Amada
1971: Cômicos e Mais Cômicos
1971: Como Ganhar na Loteria Sem Perder a Esportiva
1971: Em Família
1980: Insônia

Trabalhos para a TV
Divinas & Maravilhosas (1973)
Dez Vidas (1969)
As Minas de Prata (1966)
Redenção (1966)
A Grande Viagem (1965)
O Caminho das Estrelas (1965)
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A pousada na reserva florestal de Campos do Jordão
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Procópio Ferreira
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