Dramaturgo santista com grande talento para descrever a marginalidade, considerado um dos mais importantes teatrólogos brasileiros pela contundência e constante atualidade de seus textos, todos eles abordando temas sociais, teve suas peças encenadas nos Estados Unidos, Alemanha e Itália. Repórter de um tempo mau, como gostava de se definir, figurou em antologias de modernos teatrólogos organizadas por universidades americanas e espanholas. Barrela, sua peça escrita em 1958 e baseada num caso real, durante 21 anos ficou proibida pela censura, tendo sido interditada antes da época da ditadura militar, em pleno governo JK.

Sua consagração veio com Navalha na Carne, sua segunda peça encenada profissionalmente, escrita em 1967. Ambientada num hotel de quinta categoria, retrata o submundo onde circulam a prostituta Neusa Suely, seu gigolô Vado e o homossexual Veludo. Antes de ser reconhecido como profissional de teatro - apontado por Nelson Rodrigues como seu sucessor - Plínio Marcos foi estivador, ponta-esquerda da Portuguesa Santista, soldado da Aeronáutica, operário, palhaço de circo, camelô, jornalista e ator. Estreou em 1959, aos 24 anos, quando conheceu Patricia Galvão, a musa do movimento modernista e a quem pediu para ler Barrela, adaptada depois para o cinema. Mas foi com Dois Perdidos Numa Noite Suja (1966), encenada com enorme êxito em São Paulo  e no Rio de Janeiro, que ganhou fama.

A partir de 1979, passaram pelos palcos brasileiros O Poeta da Vila e Seus Amores, Feira Livre, Jornada de um Imbecil Até o Entendimento, Signo da Discoteque e Oração para um Pé de Chinelo. Plínio Marcos escreveu também a peça Abajur Lilás, ambientada na zona do meretrício, e os romances Querô - Uma Reportagem Maldita, Na Barra do Catimbó e Inútil Canto e Inútil Pranto. Mantinha colunas nos jornais Folha de São Paulo e Última Hora e na revista Veja. Atuou nas telenovelas Beto Rockfeller (1968) e João Juca Júnior, pela extinta TV Tupi de São Paulo. Plínio deixou ainda um livro de contos: O Truque dos espelhos.

Na realidade, ninguém sabe ao certo quantas peças de teatro foram escritas pelo dramaturgo, em seus 42 anos de carreira. Casado com a atriz Walderez de Barros durante 20 anos, com quem teve dois filhos. Em 1962, Plínio conheceu Walderez no Festival de Teatro Amador de Campinas e se casaram no ano seguinte. Ela foi parceira artística, política e afetiva de Plínio e se separaram em 1985, mantendo porém a amizade e o respeito mútuo. Walderez é atriz, cursou a Faculdade de Filosofia da USP e a primeira vez que subiu aos palcos foi para trabalhar na peça O Balanço. Plínio afirmava ter 36 profissões e fazia palestras em faculdades. Largou a escola no curso primário porque era canhoto e o obrigavam a escrever com a mão direita. Autor dotado de bom ouvido, capaz de reproduzir com perfeição o jargão popular, os diálogos em suas peças eram vivos, concisos, com a rápida caracterização das personagens em apenas algumas réplicas. Dono de um seguro senso de ritmo, introduziu uma linguagem enriquecedora e inovadora no teatro, conseguindo transfigurar gírias e palavrões e extraindo deles uma surpreendente força poética.

Seus textos contemplaram a realidade dura e cruel das prostitutas, dos meninos de rua, da violência policial. Retratava-os de maneira corrosiva, recheada de expressões da malandragem, que ele dizia ser a linguagem da zona portuária de Santos, onde morou durante a juventude. Eram temas polêmicos para a época, e Plínio Marcos foi o autor mais censurado do país durante o regime militar, tendo seu nome sido vetado por diversas vezes, até mesmo como ator em programas de televisão. Na década de 70, prestou o seguinte depoimento: ...depois de 69 eu nunca mais fui preso ou melhor, fui uma vez. Quando estava saindo da cadeia, um negrão me chamou e disse que ia fazer um trabalho pra eu nunca mais ser preso. Fomos uma noite numa esquina e ele começou a fazer uma macumba... fomos presos, os dois, por perturbar a ordem! Plínio sempre vendeu a idéia de inculto, ignorante, mal arrumado, quase mendigo, misturando-se com os personagens que criava.

Sem atividade fixa, Plínio passou a vender pessoalmente seus livros em bares e nas portas dos teatros, sempre de chinelos e roupas despojadas, misturando arte e ideologia com sua vida. Sua figura estranha, com alguns dentes faltando na boca e o barrigão a saltar à frente de seus passos lerdos, chamava a atenção e quase não era reconhecido. Diariamente abandonava a minúscula quitinete de trinta metros quadrados que possuía no edifício Copan, em São Paulo, para almoçar na praça Roosevelt. Em 1997, mudou-se para uma ampla moradia de 200 metros quadrados, em Higienópolis, com o incentivo se sua última esposa, a jornalista Vera Artaxo, com quem viveu nos últimos cinco anos. Só que o casal, mantendo a tradição de Plínio, jantava toda noite na tradicional Cantina do Giggeto. No restaurante, Plínio criou um prato que ganhou seu nome: galinha à Plínio Marcos. O escritor faleceu aos 64 anos, em 19 de novembro de 1999.  
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A pousada na reserva florestal de Campos do Jordão
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Plínio Marcos
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