Músico e compositor notável por sua extensa obra, que o transformou num grande expoente da música popular brasileira. Considerado o inventor da orquestração brasileira na fase de estruturação da MPB e o maior músico nacional na primeira metade do século. Pixinguinha começou a tocar cavaquinho aos 9 anos e estreou como músico profissional aos 14. Em 1915, gravou seu primeiro disco, São João Debaixo D'Água. Carioca, neto de escravos e filho de músicos, conquistou a fama em 1924 com a canção Carinhoso, com letra da autoria de João de Barro. Na realidade, essa música passou 14 anos sem letra, até que Braguinha criasse os versos para atender a um pedido da cantora Heloisa Helena. "Pzindim" deu forma ao chorinho, o gênero mais erudito da música popular, e foi incentivador das rodas de choro que reunia a nata musical da época.
Insubstituível como flautista, Pixinguinha trocou o instrumento pelo saxofone e tornou-se o primeiro arranjador da música brasileira. Em 1919, fez Um a Zero, chorinho para flauta inspirado no placar da final do campeonato sul-americano, quando o Brasil conseguiu um título inédito depois de vencer o Uruguai. Com Vinicius de Moraes ele fez Lamento, gravada por Chico Buarque de Holanda, e com Benedito Lacerda destacam-se Naquele Tempo, O Gato e o Canário, Vou Vivendo e Ingênuo, esta última gravada por Simone com acompanhamento de Baden Powell. Ney Matogrosso gravou Página de Dor e diversos clássicos de sua autoria foram arranjados e interpretados por Antonio Carlos Jobim, Radamés Gnatalli, Hermeto Paschoal e Jacob do Bandolim. Pixinguinha chegou a gravar uma de suas composições com Clementina de Jesus.
O compositor integrou o grupo Os Oito Batutas, que tocava nas salas de espera dos cinemas no Rio dos anos 20. Em 1921, acompanhado do conjunto, fizeram uma turnê pelo Nordeste. Em Salvador, foi anunciado que o grupo abrira mão de uma excursão à América do Norte só para se apresentar na cidade. Desembarcaram do navio Itajubá e, no dia seguinte, estrearam no cine-teatro Politeama. Na publicidade, informava-se que o grupo faria apenas cinco espetáculos, seguindo depois para a América do Norte, em missão de propaganda da música nacional. Terminada a temporada no Politeama, fizeram outra no cine-teatro Olympia, e de novo anunciava-se: O número mais caro que atualmente existe no Brasil! Oito Batutas, o patriótico elenco que, de passagem para a América do Norte, vai em missão de propaganda de nossas modinhas, canções regionais, tangos! Um brilhante grupo de artistas genuinamente nacionais que tornarão ainda mais conhecido o Brasil! Tudo não passou de um mentiroso apelo promocional.
O talento musical de Pinxinguinha era tamanho que muitos críticos acreditam que se o compositor fosse americano, teria tanta ou mais fama que Louis Armstrong - amigo e admirador do brasileiro. Em 1972, por decreto do então Presidente Médici, Pixinguinha recebeu o título de comendador, ao lado de Dorival Caymmi: O Presidente da República resolveu, na qualidade de Grão-Mestre das Ordens Brasileiras nos termos do regulamento aprovado pelo decreto número 66.434, de 10 de abril de 1970, admitir no quadro Suplementar da Ordem do Rio Branco as personalidades abaixo mencionadas: grande oficial, os Senhores Dorival Caymmi e Alfredo da Rocha Viana Filho (Pixinguinha). Sua biografia foi lançada em 1997, Pixinguinha - Vida e Obra, da autoria de Sérgio Cabral. O compositor faleceu aos 74 anos, em 17 de fevereiro de 1973. |