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oeta e escritor nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, foi o maior memorialista da literatura brasileira, um fenômeno aplaudido simultaneamente pela crítica e pelo público. A primorosa reconstrução do passado e a exuberância do estilo enchiam as resenhas de exclamações e elogios. O autor era sucesso de crítica e de público, com suas obras no topo das vendas nas livrarias. Logo que se formou, Nava exerceu a medicina sanitária em sua terra natal. Depois, clinicou por muitos anos em São Paulo e, em 1933, foi para o Rio de Janeiro, onde lecionou em várias escolas de medicina, tendo chegado a publicar dezenas de livros sobre essa matéria. Foi o pioneiro brasileiro do serviço especializado em reumatologia, na Policlínica do Rio, tendo clinicado por mais de meio século. Fez também parte do Grupo de Festa, primeira revista modernista de seu estado, em 1925.

Quando Nava surgiu como escritor, em 1972, foi um furacão. Desde 1968, quando a clínica começou a rarear e ele a se fartar do convívio social, começou a escrever a sério memórias em que esperava contar coisas da vida de sua família. O livro Baú de Ossos, com sua sucessão infindável de genealogias, parecia dedicado a discreta promoção entre literatos. Ao contrário, estourou em quatro edições sucessivas, projetando-o definitivamente como grande escritor. Além dos cinco volumes de memórias, em sua bibliografia também se incluem: O Círio Perfeito (de 1983, com o qual recebeu o prêmio O Livro do Ano em 1984), Galo das Trevas, Chão de Ferro e Beira Mar. Nava vendeu mais de 70.000 exemplares nos anos 70, marcando profundamente a década e fazendo escola. Escrevendo com notável riqueza de detalhes, em textos longos, ele redescobria palavras como axelhos (os cabelos debaixo do braço) ou lembrava que verter também pode ser urinar. Criava palavras para descrever seus êxtases, como azul-zaum, ou trazia de volta certos tipos de tecidos desconhecidos atualmente, como nanzuque ou zefir. Criava ambientes onde pode-se sentir cheiros como as alfazemas das moças ou a creolina dos ambulatórios.

Na qualidade de poeta bissexto, a produção de Nava não foi editada em livros, com exceção de O Defunto, incluído na Antologia de Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos, por Manuel Bandeira. Grande amigo de Carlos Drummond de Andrade, viveram parte da juventude em Belo Horizonte e costumavam relatar as histórias da época. Certa vez atearam fogo numa casa das moças Vivacqua porque a mãe de uma delas não queria que a filha namorasse o poeta. Nós mesmos apagamos logo. O fogo não destruiu nada, só a nossa reputação - Nava afirmaria mais tarde. O escritor casou-se com Antonieta Nava em 1943, ambos com 40 anos, tendo o casal nascido na mesma cidade e na mesma rua, a 200 metros um do outro. Nava suicidou-se com um tiro na têmpora, logo após um telefonema misterioso, em que um homem o teria chantageado. Na biografia do escritor, ‘A Solidão Povoada’, da pesquisadora francesa Monique Le Moing, publicada em 1996, “revela” aquilo que Nava, pretensamente, não teve coragem de confessar: sua homossexualidade. A autora apoiou-se, sobretudo, na “evidência literária” trazida pelas páginas finais de ‘O Círio Perfeito’, carregadas de referências ao tema. Esse livro acaba justamente no ponto em que o personagem faria uma revelação bombástica. O desenlace se daria no volume seguinte, ‘Cera das Almas’, que Nava não chegou a completar. Fora da literatura, haveria os boatos surgidos depois de sua  morte, confirmados por um amigo próximo do escritor. Nava morreu aos 81 anos, em 13 de maio de 1984.
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Pedro Nava
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