Cantor popular brasileiro, carioca de nascimento, com grande popularidade a partir da década de 30 por ter sido o primeiro a gravar a marcha A Jardineira, tendo se consagrado com a canção Lábios que Beijei. Seu pai, o ferroviário José Celestino da Silva, era um violinista apaixonado pelo choro, promovendo concorridos saraus em casa, onde Pixinguinha participava. Ele faleceu quando o cantor tinha apenas três anos, mas deixou-lhe uma herança musical formada pelos grandes representantes do choro na época, o que possibilitou-lhe transportar para o canto toda a magia instrumental desse ritmo. Na época, o cantor teve o vida sacrificada, trabalhando em vários empregos enquanto sua mãe lavava roupas para fora.

Sua oportunidade aconteceu em 1934 quando, cobrador de lotação, foi apresentado pelo compositor Bororó a Francisco Alves. Cantou a valsa Mimi e o Rei da Voz gostou tanto que levou-o imediatamente para se apresentar em seu programa na Rádio Cajuti. Na ocasião, foi anunciado com o nome de Orlando Novarro (por causa de um ator estrangeiro muito famoso chamado Ramon Novarro). Ao ouvir esse nome, o cantor corrigiu: Ôpa. Orlando Novarro, não. Orlando Silva. Francisco Alves também colaborou para que ele assinasse seu primeiro contrato, pela RCA Victor, em 18 de junho de 1935, onde estreou com a gravação das valsas Lágrimas e Última Estrofe. Sentiu tanta emoção ao ouvir o primeiro disco que, quando entrou no estúdio, sentou-se no chão e ficou todo arrepiado.

Em 1936, Orlando passa a pertencer ao cast da Rádio Nacional do Rio e, em 1942, transfere-se para a gravadora Odeon. Ficou conhecido pelo apelido de cantor das multidões, criado pelo locutor Oduvaldo Cozzi quando, em 1938, ao sair de uma apresentação na Rádio São Paulo, foi recepcionado por milhares de fãs que se comprimiam em frente aos estúdios da emissora na rua Sete de Abril. Acabou sendo reconhecido também como o cantor dos presidentes: tinha como fã incondicional Getulio Vargas, que adorava A Jardineira, Juscelino se deleitava com A Sertaneja e João Goulart pedia-lhe para cantar
Número Um. Entre seus sucessos, destacam-se também: Juramento Falso, Dá-me Tuas Mãos, Páginas de Dor, Tudo Foi Ilusão, Pela Primeira Vez, Apoteose do Amor, Dama do Cabaré, Cidade Mulher, Rosa, Balalaica, Malmequer e Carinhoso.

Em 1936, participou do filme Cidade Mulher, de Humberto Mauro, em 1938, Banana da Terra, ao lado de Carmem Miranda, e, em 1940 Laranja da China, também com Carmem. Orlando Silva transformou-se no maior fenômeno da música popular brasileira, jamais igualado e sem a ajuda da televisão ou quaisquer esquemas de marketing. O período de 1935 a 1944 foi o mais significativo em sua carreira. A decadência surgiu em meados da década de 40, quando ele apaixona-se pela atriz de radionovelas Zezé Fonseca, mergulhando sua desilusão em conhaque e cocaína. A voz poderosa e a capacidade de interpretação desapareceram, dando lugar apenas a uma lembrança do que era o cantor das multidões. Orlando casou-se com Dona Lurdes e, apesar de boêmio confesso, mesmo assim viveu 31 anos com a mesma mulher, sendo que o casal legalizou a união dois anos antes de seu falecimento, tanto no civil como no religioso. Por sugestão da esposa, nessa mesma época converteram-se à religião das Testemunhas de Jeová. O cantor faleceu aos 62 anos, em 7 de agosto de 1978.
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Orlando Silva
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