Poeta e um dos mais importantes autores teatrais do Brasil, um dos fundadores do Teatro de Arena em São Paulo, e do Grupo Opinião no Rio de Janeiro. Atuou também no cinema (O Desafio, A Derrota e Cinco Vezes Favela, de 1962). Carioca de Ipanema, apareceu pela primeira vez nas telas aos três meses de vida, no filme Bonequinha de Seda, de 1936 e dirigido pelo pai. Em 1937, participou de Alegria, também de Oduvaldo Viana. Desistiu, aos 19 anos, do segundo ano de arquitetura para participar do Teatro Paulista do Estudante (TPE), onde começou como amador ao lado de Gianfrancesco Guarnieri e Raul Cortez. No ano seguinte, o grupo era absorvido pelo Teatro de Arena, em São Paulo, ocasião em que ele escreveu sua primeira peça e arrebatou o prêmio Saci do jornal O Estado de São Paulo, na época o mais cobiçado do teatro paulista. Em 1961, ele abandona o Arena e segue para o Rio de Janeiro, onde é preso num comício na Cinelândia. Além do maço de cigarros, a polícia encontra em seu bolso um texto de Fidel Castro. Sou ator, tentou se defender. Então, além de comunista, é bicha, vociferou o policial.
Na UNE carioca, ao lado de Ferreira Gullar, Leon Hirzman, Carlos Vereza, Carlos Diegues, entre outros, Vianinha criou o legendário Centro Popular de Cultura (CPC), inaugurado com sua peça A Mais Valia Vai Acabar, Seu Edgar. Paulo Francis, então crítico de teatro, escreveu que mais valia não era bem aquilo. Em 1964, ele montou um show de estrondoso sucesso entre Rio e São Paulo, que percorreu diversas cidades do país e lançou uma nova cantora, Maria Bethania: o provocante Opinião. Em 1967, o grupo Opinião se desfazia, provocado por diversos problemas. Em 1972, ele era convidado por Daniel Filho a reformular o seriado A Grande Família, produzido pela Rede Globo e com grande sucesso na década de 70. No mesmo ano e baseado no nascimento do primeiro filho, fez As Aventuras de uma Moça Grávida, filmado por Daniel Filho como O Casal.
Vianinha tinha uma obsessão tão grande em escrever para o teatro que as cenas finais de sua última peça, Rasga Coração, foram ditadas para sua mãe quando ele já se encontrava sem forças, no leito de hospital, onde viria a falecer um mês depois. Proibida em todo o território nacional em 1973, ela chegou ao público pela primeira vez somente seis anos depois, no Teatro Guaíra de Curitiba. Seu pai, Oduvaldo Vianna, falecido em 1972, foi quem, nas primeiras décadas do século, proclamou a independência do teatro brasileiro, ao trocar o pesado e tradicional diálogo português por uma linguagem própria brasileira, em textos dirigidos para o palco e o rádio.
Por um descuido do escrevente, na certidão de nascimento de Vianinha não constava o Filho e por isso os órgãos de segurança do período da repressão o confundiam com o pai, conhecido por sua posição comunista mas já aposentado na época. Entre mais de 20 obras de sua autoria, destacam-se: Chapetuba Futebol Clube (1957), Dura Lex, Sed Lex, no Cabelo Só Gumex (1961), Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come, Os Azeredos Mais os Benevides, Meia Volta, Volver, Moço em Estado de Sitio, Telecoteco Opus nº 1 (de 1966 a 1968), Quatro Quadras de Terra, A Longa Noite de Cristal (197l), Em Família (1972) e Alegro Desbum (1973). Vianna Filho faleceu aos 38 anos, em 20 de julho de 1974. |