Cantor de sucesso em todo o país no final dos anos 50 e início dos 60. Nascido no interior de Minas, foi violonista da revista musical "Noite Ilustrada", que lhe rendeu o nome artístico batizado pelo humorista Zé Trindade. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ingressou na escola de samba Portela, atuando com sambista da escola. Nos anos 50 radicou-se em São Paulo, onde trabalhou em casas noturnas. Seu primeiro sucesso foi o samba "Volta por Cima", de Paulo Vanzolini, gravado em 1963 no disco "Noite Ilustrada". Gravou grandes nomes do samba, como Cartola e Nelson Cavaquinho e, em mais de 40 anos de carreira, consagrou-se como um dos grandes cantores do ramo. Entre seus sucessos destacam-se "Cara de Boboca" (Jaime Silva/ Edmundo Andrade), "Barracão" (Luís Antônio/ Oldemar Magalhães) e "O Neguinho e a Senhorita" (Noel Rosa de Oliveira/ Abelardo Silva), "Toalha de Mesa" (Dora Lopes/ Carminha Mascarenhas/ Chumbo).
Atibaia é uma simpática cidadezinha do interior paulista. “Cidadezinha” modo de dizer, já que seus moradores enchem a boca para informar que sua população já passa dos 120 mil habitantes e ela já produz até o café Atibaiense “o melhor cappuccino do Brasil” . Mas seu ar interiorano se faz sentir nas congadas e cavalhadas que surgem de todos os cantos, nesta época do ano. Ou na bandinha que toca no “coreto Sílvio Caldas”, enquanto você se deleita, sorvendo uma Itaipava “estupidamente”, no bebe-em-pé do mercado. Aliás, o nome do coreto é uma homenagem ao criador de Chão de estrelas, que viveu em Atibaia boa parte de sua boêmia e longeva existência.
Foi também Atibaia a escolhida por Noite Ilustrada para abrigar seus últimos anos de vida. Aqui ele conheceu e se apaixonou por Denise Pinto, e se radicou até emitir o último trinado de suas privilegiadas cordas vocais. Aproximadamente um ano após partir para cantar samba em plagas celestiais, Noite Ilustrada ganhou uma homenagem à altura de seu talento: o Espaço Cultural Noite Ilustrada. Trata-se de um simpático barzinho, onde nos fins de semana se apresentam sambistas, chorões e seresteiros da região. No restante da semana rola na vitrola a voz do grande “Noite”, imortalizada através de seus CDs, ou resgatada de antigos LPs, que dona Denise conserva com carinho. O interior do ambiente é decorado por fotos, pôsteres do artista e pinturas de sua autoria. Um grande armário de vidro exibe objetos pessoais, como o violão, brilhantes trajes de sambista e até o característico fraque/cartola usado em suas apresentações especiais.
Noite ilustrada faleceu aproximadamente dez anos após transferir-se de Recife para São Paulo. Na capital pernambucana ele conhecera o reflorir de sua carreira, então já ofuscada pelos novos e nem sempre saudáveis ares baianos e americanos, que contaminavam a MPB de então, até quase sufocá-la por completo. Sua mudança para Pernambuco nasceu de um convite do amigo Altemar Dutra. O grande intérprete de Sentimental demais foi um dos que perceberam o aconchego e o respeito que o público pernambucano tem para com os eternos valores de nossa música. Além dele, outros astros – então cadentes -, como Adilson Ramos e Reginaldo Rossi, já haviam experimentado esse caloroso clima, que injetava novo oxigênio em suas trajetórias.
Nos mais de dez anos de permanência no Recife, Noite Ilustrada gravou dezenas de discos e vendeu centenas de milhares deles, chegando a ganhar um Disco de Ouro e um de Platina por Minha Rainha, um dos seus maiores sucessos, ao lado de Volta por cima. Passou a lotar teatros, casas noturnas e praças públicas do Norte e Nordeste do país.
No ano de 1993 o grande “Noite” achou que era tempo de voltar ao chamado Sulmaravilha. Se dez anos antes uma mão amiga o levara de São Paulo para Pernambuco, agora uma paixão irresistível o instara a inverter a bússola e fazer o caminho de volta. Hoje, passado um ano e meio de sua definitiva viagem, Mário de Souza Marques Filho, seu nome real, uma das mais belas vozes da MPB de todos os tempos, recebe essa merecida homenagem da cidade que foi a estação derradeira de profícua viagem.
Noite Ilustrada faleceu em Atibaia, São Paulo, aos 75 anos, em 28 de julho de 2003. |