Ator do cinema italiano, com uma carreira onde se contam alguns dos mais emblemáticos filmes de Itália dos anos 60 e 70. Contemporânio de Vittorio Gassman, Ugo Tognazzi e Alberto Sordi, que, com Manfredi, constituiam uma grande parte da "geração de ouro" da comédia da segunda metade do século XX na Itália. Walter Veltroni, presidente da câmara de Roma, afirmou que o ator era "provavelmente o último da grande geração de atores de um período irrepetível do nosso cinema". Já o presidente italiano Azeglio Ciampi elogiou Manfredi por "representar a evolução da sociedade italiana com ironia e a sabedoria da classe trabalhadora". Nascido Saturnino Manfredi, em Castro dei Volsci, ao sul de Roma, o ator formou-se em Direito, mas a paixão pelas artes falou mais alto. Primeiro no teatro, com a ajuda do lendário mestre Edoardo de Filippo, foi cenógrafo e depois passou para as telas, em 1949, com «Torna a Napoli». Logo se tornaria uma presença habitual nas "commedia all`italiana", onde o humor andava de braço dado com a crítica social e política. Manfredi atuou sob a direção de importantes realizadores italianos, como Dino Risi e Ettore Scola, numa carreira de 54 anos e 101 filmes. Trabalhou até 2003 como ator, principalmente na televisão, sendo o sua última participação no telefilme "Un Posto Tranquilo". Entre seus filmes, destacam-se «Straziami, Ma di Baci Saziami» (1968), de Dino Risi, «Nell`Anno del Signore» (1969), de Luigi Magni, «Pane e Cioccolata» (1973), de Franco Brusati. Em 1974, consegue um dos seus maiores sucessos, com «C`eravamo Tanto Amati», de Ettore Scola, ao lado de Stefania Sandrelli e Vittorio Gassman. Três anos antes, ele conquistara o coração de várias gerações de italianos na televisão com o papel de Geppetto, numa das adaptações de maior sucesso da obra literária de Carlo Collodi. Em 1976, interpretou o violento Giacinto em «Feios, Porcos e Maus», de Ettore Scola, no que foi um dos mais pungentes retratos da miséria humana jamais representados nas telas. Nesse filme, com um vasto número de indignidades humanas, ele é o homem que recebe um milhão de liras como indenização após perder um olho, mas que, movido pela avareza e egoísmo, dorme com receio que a família lhe roube o dinheiro, obrigando todos (mais de 20) a viver, comer, dormir, fazer sexo e até lutar numa barraca de uma divisão. A situação chega a um extremo até que estes começam a conspirar para assassiná-lo. Enquanto isso, ele leva para a "casa" uma amante e começa a comprar-lhe presentes, gastando assim o dinheiro. Manfredi dirigiu três longas-metragens e um deles, «Per Grazia Ricevuta», foi recebido de forma entusiástica pelos críticos, tendo recebido o prêmio do Festival de Cannes em 1971. Em 2003, o Festival de Veneza homenageou o ator com um prêmio por sua carreira, mas, devido à doença que o vitimou, ele não teve condições de se deslocar até o Lido para a cerimônia de entrega. Nino Manfredi faleceu em Roma, aos 83 anos, em 4 de junho de 2004. |
| Filmografia 1956: Totó, Peppino e a Mulher Má (Totò, Peppino e... la Malafemmina) 1965: As Bonecas (Le Bambole) 1965: Uma Rosa para Todos (Una Rosa per Tutti) 1966: Adultério à Italiana (Adulterio all'italiana) 1967: Esses Italianos (Made in Italy) 1968: Mate-me com Teus Beijos (Straziami, ma di Baci Saziami) 1968: Perdidos na África (Mr. Sabatini i Presume) 1970: A Contestação (Contestazione Generale) 1974: Nós que nos Amávamos Tanto (C'eravamo tanto Amati) 1976: Senhoras e Senhores, Boa Noite (Signore e Signori, Buonanotte) 1976: Feios, Sujos e Malvados (Brutti, Sporchi e Cattivi) 1995: Uma Janela para a Lua (Moon Shadow/Colpo di Luna) |
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