Intérprete da música popular brasileira, com 26 anos de carreira e conhecida principalmente por sua participação nos festivais de música da TV Record de São Paulo na década de 60, quando lançou nacionalmente Chico Buarque de Holanda interpretando sua composição A Banda. Era o ano de 1966 e, daí para a frente ela gravou Com Açúcar, com Afeto, Vence Na Vida Quem Diz Sim, Baioque, Rita, Trocando em Miúdos e Olhos nos Olhos, as quais imprimiu um toque todo pessoal. Capixaba radicada no Rio de Janeiro, foi considerada a musa da Bossa Nova, embora date de 1970 sua primeira gravação nesse ritmo. Nessa mesma época, participou no movimento da Tropicália e popularizou cantores do Nordeste. Sua primeira incursão no disco foi com a música Diz que fui por aí, da autoria de Zé Keti, em janeiro de 1964. A pessoa decisiva, o elo de ligação entre o que Nara fazia na ocasião e as músicas de morro, foi Carlinhos Lyra. Ele era muito ligado ao pessoal do Teatro de Arena, de São Paulo, e ao Nelson Cavaquinho, Cartola e ao próprio Zé Keti.
Em 1965, Nara já excursionava por todo o país com seu violão, quando esse instrumento não era bem visto como atividade feminina. Mais tarde, fez um disco com cantigas infantis. Depois, lançou Romance Popular, mostrando Nara com os ombros sensualmente nus na capa e apresentando canções em furiosos solos de guitarra. Participou do filme Quando o Carnaval Chegar, em 1973, dirigida pelo marido, Cacá Diegues.
Em entrevista à revista O Cruzeiro, em 1966, quando Nara já era um nome respeitado na música popular brasileira e Danuza, sua irmã, dotada de uma personalidade marcante e discutida, esta última declarou: Durante muito tempo eu não tinha uma irmã, mas uma coisinha que andava pela casa. Depois, descobri que a menina que dormia no meu quarto, não só era a minha melhor amiga, mas também minha irmã. Pode ser melhor? A única coisa chata é que nas temporadas que passamos juntas (Danuza dividia-se entre o Brasil e a França, envolvida nas passarelas, como manequim), não consigo dormir, pois a gente tem tanta coisa para falar, que fica acordada até as oito da manhã. Acho que só vou descansar quando voltar para Paris. Nara Leão faleceu aos 47 anos, em 7 de junho de 1989. |