Cantora e compositora paulista, conhecida por seu repertório de sambas do Bexiga, sem jamais abandonar seu estilo italianado e acompanhando o ritmo com as mãos, como se tivesse um pandeiro entre elas. Em outras vezes, usava uma caixa de fósforos como batuque, consagrando-se como mestre numa das instituições musicais cariocas. Miriam Angela La Vecchia já demonstrava talento musical com instrumentos como o violão, a harmônica, o piano e a bateria aos doze anos. Iniciou na carreira artística nos festivais da TV Record na década de 60, quando atingiu o auge do sucesso. Na época, deram-lhe o apelido de Batucada, apesar da imagem de intelectual que transmitia, por causa da palidez e os óculos para miopia.
Na década de 70, transferiu-se para o Rio de Janeiro, certa de que a cidade seria maravilhosa para a continuação de sua carreira. Mas a recepção foi bem diferente, tendo sido tratada como uma amadora de quinta categoria. Uma revista considerou ela e Ronnie Von como invenções da TV Record. Foi crucificada. Mesmo assim, conseguiu gravar alguns compactos, não tocados pelas rádios. Participou de um LP ao lado de Raul Seixas, 'Sociedade da Gran Ordem Kavernista', que ficou nas prateleiras. Decepcionada com os cariocas, Miriam viajou para outros Estados, fazendo apresentações acompanhada por músicos encontrados 15 minutos antes do show. Num auditório do Recife, foi chamada de feia pela platéia. Depois de tantas desventuras, seguiu para os EUA e apresentou-se no Playboy Club de Nova York e no Hilton de Chicago. Chamavam-na de Miriam Botucuda.
Na volta, tentou o Rio novamente e lá gravou outro compacto. Ficou tão ruim que ela chorou ao escutar. Visitou diversas rádios e ninguém queria tocar seu disco. O único disc-jóquei que concordou exigiu em troca um show de graça. Finalmente, Miriam foi recompensada ao estrelar o show 'Samba, Coisa e Tal', ao lado de Grande Otelo e produzido por Haroldo Costa, em 1974. Revelando surpreendente presença cênica, em certos momentos superior até à do grande comediante, cantava com muita garra e vitalidade um notável repertório, de Caetano Veloso a Benito di Paula.
A partir da década de 80, Miriam voltou para São Paulo e passou a fazer pequenas aparições em programas de televisão, interpretando seus antigos sucessos, como 'Feiúra Não é Nada' e 'Banca do Distinto', ambas de Billy Blanco. Nos últimos anos, se apresentava em bares e casas noturnas, mas sua fama jamais permitiu-lhe algum sucesso mais sólidono mercado fonográfico. Em mais de vinte anos de carreira, Miriam gravou apenas oito compactos e um LP solo, além de algumas participações em discos de outros artistas. Miriam morreu aos 47 anos, 21 de julho de 1994. |