Soprano grega, uma das mais importantes cantoras líricas do pós-guerra, iniciou a carreira internacional na Itália em 1947. Dona de um timbre de voz especial, era considerada a prima-dona assoluta, cantora superdotada capaz de arrebatar platéias, fascinando o mundo como artista e personalidade. Em 1955, no Scala de Milão, apresentou-se com a Traviata, produção de Luchino Visconti, e, em Londres, com a Tosca em 1965, produção de Franco Zeffirelli. Filha de imigrantes gregos nascida em Nova York, renunciou à cidadania americana em 1966. Na Grécia, em 1938, e com apenas 15 anos, ela protagonizaria Santuzza, em Cavalleria Rusticana.

Callas casou-se, em 1949, com Giovanbattista Meneghini, rico industrial de Milão e 26 anos mais velho do que ela. A partir de 1950, e nos dez anos seguintes, Callas brilharia em importantes casas de óperas européias. Com sua voz extensa e poderosa, sua carreira foi fulgurante. Em 1953, resolveu emagrecer nada menos que 30 quilos, tornando-se cenicamente muito mais convincente, mas vocalmente muito mais vulnerável. Muito temperamental, em 1958, abandonou no meio de um recital, deixando na platéia o Presidente Giovanni Gronchi, apenas porque o público não a aplaudira a contento após o primeiro ato. Maria Anna Sofia Cecília Kalogeropoulos, seu nome de batismo, foi casada com o milionário Aristóteles Onassis, tendo-o conhecido num cruzeiro a bordo do iate Christina, em 1959. Manteve, durante dez anos, a mais tempestuosa das ligações.

Em sua biografia, Callas, de 1974 e lançada no Brasil em 1987, ela relataria: Fui mantida numa gaiola durante tanto tempo que, quando me encontrei com Aristo e seus amigos, tão cheios de vida e de fascinação, tornei-me uma mulher diferente. Em 1962, diante da pressão que o escândalo dessa união provocara na Itália, a cantora teve que abandonar o Scala. Em 1964, perdia subitamente a voz durante um recital de Norma. No ano seguinte, cancelava alguns recitais em Londres. Geniosa como sempre, recusou-se a voltar aos palcos em 1969, sob a direção de Luchino Visconti, só porque os produtores não lhe garantiam o mínimo de um mês de ensaios. Com o aparecimento de Jacqueline Kennedy e consequente fim de seu relacionamento com o armador grego, Callas comentou ironicamente na ocasião: Creio que a senhora Kennedy fez muito bem em arrumar um avô para seus filhos. A cantora tornou-se indiferente à sua carreira e nunca mais recuperou plenamente a voz. Teve importante passagem pelo cinema sob a direção de Pier Paolo Pasolini, quando atuou em Medéia, em 1971. Em 1973, tentou voltar aos palcos em Nova York sem, entretanto, alcançar o sucesso almejado. Maria Callas faleceu aos 53 anos, em 16 de setembro de 1977.

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Maria Callas
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