Pintor e compositor pernambucano do Cabo, conquistou a fama com a embolada, um gênero de música que desafia a língua pela sucessão alucinante de palavras. Ao deixar o norte em 1933 para vir tentar carreira artística no Rio, começou com as emboladas da mesma forma que Henrique Fóreis e Almirante. Sua habilidade em combinar metáforas provocantes e melodias sinuosas conservou o sucesso ao longo de vinte anos. Frasista e espirituoso, Manuel Pereira de Araújo retratou desde o Estado Novo de Getulio Vargas até o Brasil da era do rádio. Gravou Segura o Gato, Quando eu Vejo Margarida e Bordado Aborrecido. Em 1936, participou do filme Maria Bonita, ao lado de Marília Batista; em 1939, Pega Ladrão, com Grande Otelo; em 1940, Asas do Brasil, de Raul Roulien. Em 1945, alcançou grande sucesso com a canção Dezessete e Setecentos, de Luiz Gonzaga e Miguel Lima.
Araujo permaneceu contratado da Rádio Mayrink Veiga por um bom tempo, foi para a Rádio Tupi e ali granjeou os maiores aplausos. Deixou a Tupi para ser produtor na Rádio Nacional e, depois de uma temporada brilhante, transferiu-se para São Paulo e passou a produzir programas para a Rádio Record. Voltou ao Rio na década de 50, abriu o célebre restaurante Cabeça Chata e tornou-se uma das maiores atrações da cidade. Com uma frequência selecionada e constante, ganhou dinheiro suficiente para não pensar mais no rádio como meio de vida, pois compreendeu que seu negócio era vender quitutes. Voltou a apresentar-se algumas vezes na Mayrink Veiga apenas para prestigiar o lançamento do programa Esse Norte é de Morte... e, ao ganhar uma tela de presente da esposa, transformou-se num excelente pintor primitivista. Em 1975, depois de uma longa temporada de vinte anos de ausência, entre panelas e pincéis, voltou a gravar, lançando o LP O Cabeça Chata e Cuma É o Nome Dele? Na época, reeditou antigos êxitos como Tadinho do Manezinho, Onde Vai, Valente?, O Carrité do Coroné, Vatapá, Sulande e Olha o Buraco no Barreiro, Cavalheiro. Araujo faleceu aos 82 anos, em 23 de maio de 1993. |