F
amoso cantor e compositor de músicas nordestinas, popularizou-se com a canção Asa Branca (1947), criada em parceria com Humberto Teixeira. A letra e a música da canção se transformaram numa espécie de hino do Nordeste, sendo regravada centenas de vezes. O velho Lua, como era chamado, foi considerado a partir de então o rei do baião e com quase 300 letras e músicas de sua autoria. Nascido em Exú, Pernambuco, transferiu-se para o Rio de Janeiro ainda jovem, na década de 40. Descoberto na região carioca do Mangue, onde sanfoneava boleros em prostíbulos, foi parar no rádio, tendo sido revelado num programa de calouros comandado por Ary Barroso, em 1941.

Criou um estilo próprio, cuja principal característica era a utilização de instrumentos típicos nordestinos, como sanfona, triângulo, zabumba, chocalho e gongue. Com sua voz rachada, flexível e afinada, divulgou o xaxado, xamego, xote, toada e o forró, ritmos nordestinos que o resto do país pouco conhecia.  Criou diversas composições ao lado de outro parceiro bastante conhecido, Zé Dantas, tendo se destacado com as músicas Juazeiro, Paraíba (1950), Assum Preto (1950), Xote das Meninas (1953), A Volta da Asa Branca, Derramaro o Gail, Meu Pé de Serra, Respeita Januário e ABC do Sertão. Com centenas de músicas gravadas, Luiz Gonzaga do Nascimento foi o responsável pela febre do acordeão nos anos 50, em substituição à sanfona e ao fole sertanejo.

Durante mais de 50 anos de carreira, o rei do baião gravou 56 discos. Em 1959, o cantor viveu maus pedaços no interior de São Paulo. Contratado por dois candidatos a prefeito e vice, ele foi a Lucélia atuar em um espetáculo ao ar livre, em praça pública. A certa altura da apresentação, todos ficaram surpresos ao ver o artista tombar no tablado. Imediatamente socorrido por populares, foi constatado que ele havia sido atingido violentamente por uma pedrada, que foi de encontro a seu chapéu de couro. Depois de recuperado, soube-se que tudo fora atribuído a adversários políticos dos candidatos que o contrataram.

Esquecido nos anos de ouro da bossa nova, Luiz Gonzaga foi redescoberto em meados dos anos 60 por Gilberto Gil, Dominguinhos, Alceu Valença e Geraldo Vandré, entre outros. Depois promovido outra vez às manchetes, devido ao boato que os Beatles iriam gravar Asa Branca. Na década de 70, voltou novamente a Exú, quando as rixas entre as famílias Alencar Sampaio e Saraiva atingiram o seu clímax. Luiz Gonzaga resolveu apaziguar o povo de sua terra, foi para lá, observou as necessidades da população e envolveu-se de novo com o lugar de onde partiu e de onde se originou toda a sua obra. Seus esforços não foram em vão, pois a paz voltou a reinar entre os políticos de Exú. Seu filho, Gonzaguinha, também grande intérprete da música popular brasileira, faleceu em abril de 1991, em acidente automobilístico. Em 1996, foi lançado A Vida do Viajante: A Saga de Luiz Gonzaga, da autoria de Dominique Dreyfus, jornalista francesa que passou a infância em Pernambuco. Luiz Gonzaga faleceu aos 76 anos, em 2 de agosto de 1989.         
o
A pousada na reserva florestal de Campos do Jordão
Para reservas e informações, clique aqui
Luiz Gonzaga
Página Inicial
Astros & Estrelas