Prestigiado músico norte-americano de origem ítalo-polonesa, nascido em Milwaukee e de notável popularidade na televisão por suas apresentações extravagantes e com absoluto domínio de seu instrumento de preferência, o piano. Showman completo e sempre muito sorridente, em seu guarda-roupa peles, lantejoulas e paletós com brilho exagerado eram presenças obrigatórias, o que valeu-lhe o apelido de Casanova do teclado. No palco surgiam carros no meio do plumas, enquanto em suas apresentações Liberace incluía floreados românticos em meio a uma certa dose de ironia, o que tornou-o ídolo de muitos idosos.Wladzin Valentino Liberace iniciou a carreira em frente às câmeras em 1951, num programa produzido pela KLAC, canal de televisão de Los Angeles. Sua versatilidade em fazer improvisações com a música erudita e ao mesmo tempo popular tornou-se sua marca registrada.
No The Danny Kaye Show, teve uma rápida aparição cômica, ao lado do astro principal, interpretando James Blonde. Foi convidado do programa Dinah Shore Show e, em 1956, seu LP 'Semeador de Felicidade' conquistava as paradas de sucesso brasileiras. Em 1958, Liberace passava a ter um show exclusivo em rede nacional pela Rede de Televisão ABC, onde demonstrava seu talento artístico em grande estilo, de costa a costa nos Estados Unidos. Sua orquestra era conduzida pelo irmão George e a série ganhou o Emmy, chegando a ser mais popular do que 'I Love Lucy'. Era transmitida para todo o país, através de 180 estações de TV e com uma audiência de 45 milhões de espectadores. Liberace não nasceu em berço de ouro, vindo de uma família pobre, o terceiro filho de um imigrante italiano. Tocava piano de ouvido aos quatro anos e estudou música clássica, embora apreciasse mais a música popular. Aos 17 anos, era convidado a tocar em programas de rádio em sua cidade natal.
Em 1941, Liberace tocava em hotéis de Nova York quando a guerra estourou e seus pais se separaram. Torna-se, então, o esteio da família e começa a gravar, tendo o irmão George como empresário e divulgador. Em 1945, viu uma biografia de Chopin, onde se destacava a figura de um candelabro. Esse objeto passa a ocupar um lugar especial em suas apresentações, tornando-se um símbolo da imagem do showman. Ao ler o livro 'The Magic of Believing', sobre o pensamento positivo, a vida de Liberace sofreu uma radical transformação. Foi para Las Vegas, participou de shows com Judy Garland, Debbie Reynolds e Jimmy Durante. Em 1952, apresentou-se com a Filarmônica de Los Angeles, no Hollywood Bowl. Nas telas, teve uma participação em 'O Semeador de Felicidade' (Sincerely Yours, 1955), no musical 'Quando Elas e Eles se Encontram' (When the Boys Meet the Girls, 1965) e 'Pescadores dos Mares do Sul', com Shelley Winters.
Sua popularidade crescia tanto quanto seu guarda-roupa, passando a apreciar adornos caros e extravagantes, casacos de vison e chinchila, dourados, prateados e com pedras preciosas. Diante das críticas negativas, respondia: 'I cry all the way to the bank', ou seja, o que importava era o fabuloso cachê que recebia por suas apresentações. Na época, somente Elvis rivalizava em popularidade, e ambos chegaram a cantar juntos. Liberace também demonstrou seu talento para a rainha Elizabeth, da Inglaterra, e teve participações nos programas de David Letterman, Oprah e dos Muppets. Ao mesmo tempo, colecionava jóias, carros e casas, uma em Las Vegas e outra em Palm Springs, chegando a criar uma fundação e um museu em seu nome. O artista não assumiu sua homossexualidade e levava vida dupla para não desapontar seus fãs. Seu companheiro, Scott Thorson, exigiu 380 milhões de dólares quando se separaram, pedido negado pelo juiz. Liberace morreu aos 67 anos, em 4 de fevereiro de 1987. |