Compositor, pianista, regente e musicólogo norte-americano, uma das figuras mais fascinantes da música contemporânea. Famoso com o musical "West Side Story", sucesso em cartaz na Broadway e filme ganhador de vários Oscars (Amor, Sublime Amor). Considerado um dos poucos gênios musicais do século e celebrado em todo o mundo como um dos papas da música clássica, Bernstein nasceu em Lawrence e era filho de imigrantes judeus russos. Em 1928, com apenas 10 anos, revelou-se um garoto prodígio, assombrando a família com uma exibição tão convincente, que levou seu pai a incentivar seus estudos musicais.
Após os cursos básicos, entrou para a Faculdade de Música da Universidade de Harvard, onde cantava, tocava piano, improvisava espetáculos, recitava. Seu progresso foi excepcional, saindo diretamente dos bancos escolares para ocupar o posto de maestro substituto de Arthur Rodzinsky, diretor da Filarmônica de Nova York. A estréia deu-se em 1943 e aconteceu de forma surpreendente, quando o maestro Bruno Walter adoeceu minutos antes da apresentação e ele teve que conduzir a regência. Então, perante um público já impaciente, aparece frente aos músicos o desconhecido Bernstein, que três horas depois era o nome mais comentado do mundo da música. Passados quinze anos, ele assumia definitivamente essa função, permanecendo até 1969 e consolidando sua meteórica carreira de regente.
Era o primeiro regente americano nato a dirigir uma grande orquestra de seu país, quebrando o velho hábito de se convocar para esses postos apenas regentes estrangeiros. Convidado a apresentar diversos programas de música clássica na TV, na mesma época, melindrou o mundo erudito mas, com a desenvoltura de um veterano do vídeo, abriu o caminho que o transformou num verdadeiro ídolo popular. Tornou-se um insuperável intérprete de Mahler e musicais como "Oklahoma!" e "On the Town" lhe trouxeram a fama na década de 40. O maestro possuiu a maior discografia erudita dos Estados Unidos, autor de Jeremiah Simphony, Kaddish, Chichester Psalms e da trilha sonora do filme "Sindicato de Ladrões" (On the Waterfront), que arrebatou oito Oscars da Academia em 1954. Em meados da década de 60, Lenny, como era tratado carinhosamente pelos amigos, detonou um pequeno escândalo ao promover uma festa em homenagem aos Black Panthers, grupo terrorista negro americano. Sua obra "The Mass" (A Missa), feita de encomenda pela família Kennedy para inaugurar o John F. Kennedy Center de Washington, em 1971, deslumbrou o mundo ao combinar música erudita ao rock de forma original, sem pasteurizar um ou outro gênero.
Bernstein percorreu o mundo como maestro convidado para a regência de grandes orquestras e deixou gravações magníficas de Tchaikowski, Wagner e outros. Esteve no Brasil em 1985 e divertiu-se no carnaval carioca durante todos os dias, revelando um fôlego insuperável: no domingo, foi para o Sambódromo assistir a primeira leva de desfiles de escola de samba; na noite da segunda-feira, voltou para assistir a segunda leva e, na manhã de terça, saiu diretamente do Sambódromo para a praia de Ipanema; após um breve descanso à tarde, ele foi para o baile Gala Gay, em Copacabana, onde esticou até a madrugada. Em 1987, era lançado nos EUA o livro "Bernstein - uma Biografia", da escritora Joan Peyser, que apresentava o maestro como homossexual e um maquiavélico carreirista, alquebrado na velhice por uma profunda depressão e uma incurável insônia. Segundo a autora, seu casamento com a atriz chilena Felicia Montealegre, que conhecia sua condição, foi apenas um artifício usado por Bernstein para encobrir suas verdadeiras preferências sexuais. O maestro morreu aos 72 anos, em 14 de outubro de 1990. |