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A pousada na reserva florestal de Campos do Jordão
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Leila Diniz
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Astros & Estrelas

                             
Atriz do teatro, televisão e do chamado cinema novo brasileiro, conquistou a popularidade na década de 60 com seu comportamento acentuadamente liberal para a época. A imprensa abria grandes espaços para suas declarações polêmicas, tendo amplamente divulgado seu banho de mar em adiantado estado de gravidez. Quem testemunhou a aparição jamais esquecerá a lendária manhã em que Leila foi à praia de Ipanema com seu sorriso irremovível, chapéu de palha e ostentando, orgulhosa, sua barriga. As fotos de Leila no mar, publicadas por todos os jornais e revistas, foi um alívio para todas as grávidas, até então condenadas a guardar distância da praia enquanto não dessem à luz.  As gestantes atuais devem esse conforto ao seu pioneirismo, enquanto Demi Moore e Cindy Crawford acabaram repetindo cenas quase idênticas para as capas de revistas americanas décadas depois da estrela brasileira.  Leila dividiu uma geração embasbacada com sua coragem em abordar a liberação sexual que explodiu no mundo no final da década de 60. Sofria com a rejeição e as agressões da sociedade da época, que se espantava com sua ousadia e complexidade. Para a esquerda clandestina, era alienada, para a direita determinante, a prostituta.

Leila tornou-se notável não propriamente por sua beleza mas por sua postura diante da vida. Dizia: Vai ser sempre necessário que surjam novas Leilas por aí, para derrubar a máscara da hipocrisia que se esconde por trás de todo esse moralismo. Carioca da gema, ela era professora primária antes de ser atriz, tendo abolido na aula a escrivaninha e ficando no meio dos alunos, tomando coca-cola e trocando seu lanche com eles. Filha de bancário, aprendeu com o pai idéias progressistas e, aos 17 anos, foi morar com o diretor de teatro e cinema Domingos de Oliveira. Já separados em 1966, ele a dirigiu em seu principal filme, Todas as Mulheres do Mundo. Parte de sua popularidade deve-se também à televisão, onde participou de 12 telenovelas. Ao abrir uma butique quando ficou grávida, atendia mais mulheres interessadas em dar conselhos que freguesas. Em 1969, começou a ser badalada como musa de Ipanema, tendo sido eleita madrinha da famosa banda.

Nessa mesma época, quando os moralistas abominavam o uso de palavras de baixo calão, Leila ficou famosa por uma entrevista dada ao tablóide Pasquim, com 72 asteriscos facilmente traduzíveis nos palavrões originais. O jornal vendeu como nunca, mas o ministro da Justiça na época, Alfredo Buzaid, usando também como justificativa o monte de palavrões que ela despejara, criou a lei de censura prévia que ganhou o apelido de decreto Leila Diniz. Desbocada e atrevida, a atriz foi jurada do Programa Flávio Cavalcanti, teve pequena passagem pelo teatro rebolado e tornou-se a rainha do cinema. Ao todo, teve 12 participações nas telas, entre elas, em Edú, Coração de Ouro (1967), A Madona do Cedro (1968), Fome de Amor (1968, dirigida por Nelson Pereira dos Santos, numa de suas melhores interpretações), Corisco, o Diabo Loiro (1969), Os Paqueras (1969, de Reginaldo Faria) e Amor, Carnaval e Sonho. Vítima de um acidente aéreo na Índia, quando voltava do Festival de Adelaide, na Austrália, onde participou com o filme Mãos Vazias, rodado em 1970. Deixou a filha pequena, com um ano apenas. Seu nome, Janaína, filha do cineasta Rui Guerra. Teve sua biografia adaptada para o cinema em 1987, com Louise Cardoso no papel principal. Leila Diniz faleceu aos 27 anos, em 14 de junho de 1972.