Cineasta francês dono de um importante legado, responsável por 36 filmes ao longo da carreira, alguns entre os maiores do cinema. Jean-Luc Godard e François Truffaut, nos seus tempos de críticos, o chamavam de le patron. Determinadas obras de Renoir tiveram importância significativa sobre gerações inteiras de diretores. Filho mais novo do pintor impressionista Pierre Auguste Renoir, ele nasceu no alto da colina de Montmartre. De lá, quando menino, via Paris a seus pés. Teve convivência desde cedo com o mundo da arte e experimentou a cerâmica durante algum tempo e apaixonou-se pelo teatro. Lutou na I Guerra e, na volta, sentiu-se atraído pelo cinema, para o qual escreveu o roteiro de Une Vie Sans Joie, em 1924. No mesmo ano, dirigiu La Fille de l'Eau. A estrela era Catherine Hessling, uma ex-modelo do pai que virou musa e mulher do filho. Ficou tão fascinado pela esposa, que via o cinema pelos olhos dela. Renoir dirigiu outros filmes mudos e, em 1931, criava sua primeira obra-prima: La Chienne. Com A Grande Ilusão (Grand Illusion), de 1937, alcançou seu maior sucesso comercial e, ao lado de Um Poema à Natureza, de 1936, e A Regra do Jogo, de 1939, representou seu momento consagrador. Com este último, exerceu considerável influência sobre o cinema francês no pós-guerra, pois conseguia dar forma estética ao mal estar da época: a Europa estava às vésperas da II Guerra Mundial. Mas a obra foi mal recebida na época. A atriz Paulette Dubost, estrela da trama, recebeu um telefonema dos pais dizendo que não se orgulhavam da presença da filha no filme de um louco. Em 1938, Renoir dirigiu A Besta Humana (Bete Humaine), estrelado por Jean Gabin. Com a França ocupada pelos nazistas, o cineasta foi para os Estados Unidos em 1941. Durante os sete anos seguintes, deu prosseguimento a sua obra admirável fazendo cinco filmes, entre eles, O Segredo do Pântano (Swamp Water, 1941, com Dana Andrews), Amor à Terra (1945, com Zachary Scott) e Segredos de Alcova, de 1946. Nos anos 50, o diretor foi a Índia e fez O Rio. De volta a Europa, fez A Carroça de Ouro, French Cancan (novamente com Jean Gabin, 1955), e As Estranhas Coisas de Paris (Helena et les Hombres, 1956, com Ingrid Bergman). Seu último trabalho foi com Le Petit Theatre de Jean Renoir, em 1969, uma espécie de síntese de suas concepções de narrativa e direção. Ao longo da carreira, Renoir teve a audácia de ser inovador. Poucos cineastas, como ele, puderam alinhar em um currículo quantidade semelhante de obras-primas. Cannes sempre lembrará dele, pois colocou sua foto na entrada de seu palácio. Jean Renoir faleceu aos 84 anos, em 15 de fevereiro de 1979. |
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| Filmografia 1931: A Cadela (La Chienne) 1932: Boudu Salvo das Águas (Boudu Sauvé des Eaux) 1934: Madame Bovary (idem) 1935: Toni (idem) 1936: O Crime do Sr. Lange (Le Crime de Monsieur Lange) 1936: Um Poema à Natureza (Une Partie de Campagne) 1937: A Grande Ilusão (Grand Illusion) 1937: A Marselhesa (La Marseillaise) 1938: A Besta Humana (Bete Humaine) 1939: A Regra do Jogo (La Régle du Jeu) 1941: O Segredo do Pântano (Swamp Water) 1945: Amor à Terra (The Southerner) 1946: Segredos de Alcova (Diary of a Chamber Maid) 1946: Um Dia no Campo (Un Jour de Campagne) 1952: A Carruagem de Ouro (Le Carrosse d'Or) 1955: O Can-Can Francês (French Cancan) 1956: As Estranhas Coisas de Paris (Helena et les Hombres) 1959: O Testamento do Dr. Cordelier (Le Testament du Docteur Cordelier) |
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