A
rtista de Hollywood considerada a primeira dama do cinema americano, célebre por ter sido a primeira mulher premiada com o Oscar de melhor atriz, por sua interpretação em três filmes da fase silenciosa do cinema: Aurora (Sunrise, 1927), Sétimo Céu (Seventh Heaven, 1927) e Street Angel (1928). Recebeu sua estatueta num singelo almoço, no dia 5 de maio de 1929, das mãos de Douglas Fairbanks. Até então uma novata, contava apenas com 21 anos de idade e morava com sua mãe, tendo comentado sobre a ocasião: Enquanto dançávamos, víamos as pessoas mais importantes de Hollywood girando ao nosso redor.

Gaynor era conhecida na comunidade cinematográfica por ter os pés no chão e não se deixar afetar pelo brilho da meca do cinema. Entretanto, quase dez anos se passaram até que a atriz ganhasse a consagração definitiva, ao participar da primeira das três versões de Nasce uma Estrela (A Star is Born, 1937), talvez sua atuação mais inesquecível. Durante todos os anos que se sucederam à interpretação de Diana, em Sétimo Céu, Janet se viu obrigada a trabalhar em papéis que lembravam a mesma personagem. Os produtores de Hollywood não acreditavam no talento da atriz, julgando que a heroína que a consagrou era a razão de seu sucesso. Janet era só uma sombra e era preciso recorrer à Diana na luta frenética pela continuação de seu êxito.

Seguiram-se filmes fracos que quase encerraram a carreira da estrela. Em 1936, a Twentieth Century-Fox não renova seu contrato mas apenas por pouco tempo Janet fica amargurada. Seis dias depois a Selznick International convida-a para o papel principal de Nasce Uma Estrela, resultando num sucesso enorme e quase que recriando nas telas seu drama na vida real. Depois da década de 30, Janet abandonou as telas para dedicar-se ao marido, o desenhista de moda Gilbert Adrian, e ao único filho, Robert. Em 1957, ela voltaria, ao lado de Pat Boone em O Sonho que Eu Vivi (Bernadine). O Presidente Franklin Roosevelt dirigiu-lhe um amável galanteio, num jantar em que foram apresentados: ela é fresca como um botão.

A atriz chegou a dividir-se entre os Estados Unidos e o Brasil ao adquirir uma fazenda em Goiás, de 1952 a 1974. Denominada Fazenda Amazonas, a 70 km de Brasília, sem estradas, sem eletricidade e muita poeira, conforme ela mesma chegaria a afirmar. No clima tropical, o marido Gilbert Adrian esperava poder recuperar-se melhor de um distúrbio cardíaco de origem nervosa.

Em 1959, com a morte do esposo, ela deixou o Planalto Central e voltou somente para visitas. Passou a viver em Palm Springs, na Califórnia, casada pela terceira vez, com o produtor Paul Gregory e dedicando-se à pintura. Em 1978, em entrevista a Judith Patarra, da revista Veja, ela externou sua desaprovação com os filmes fortes e comentou: Não acho que uma jovem deva se casar virgem, mas as cenas amorosas no cinema deviam ser tão casuais como... E completou, em alegre português: Como tomar um cafezinho. No início de 1980, Janet Gaynor estreou na Broadway com a peça Harold and Maude, a versão teatral do filme Ensina-me a Viver, estrelado por Ruth Gordon. Faleceu aos 77 anos, em 14 de setembro de 1984.

Filmografia

1927: Aurora (Sunrise)
1927: Sétimo Céu (Seventh Heaven) 
1928: Anjo das Ruas (Street Angel)
1929: O Sonho que Viveu (Sunny Side Up) 
1931: Divino Pecado (The Man Who Came Back)
1933: Feira de Amostras/Feira de Ilusões (State Fair) 
1935: Amor Singelo (The Farmer Takes a Wife) 
1936: Garota do Interior (Small Town Girl)  
1936: Mulheres Enamoradas (Ladies in Love) 
1937: Nasce uma Estrela (A Star is Born) 
1938: Jovem no Coração (The Young in Heart) 
1957: O Sonho que Eu Vivi (Bernadine)
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A pousada na reserva florestal de Campos do Jordão
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Janet Gaynor
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