Cantor e compositor paulista, alcançou notoriedade a partir da década de 70 no Teatro Paulistana, onde se apresentava ao lado de Arrigo Barnabé. Dançando sobre o palco, Itamar Assumpção lembrava um feiticeiro de alguma remota tribo africana. Ou “um druida, descendente de escravos”, como ele mesmo se definia. Os cabelos ' rastafari ' contrastavam com o filar sobre a cabeça e as roupas coloridas e exóticas sobre a pele negra retinta.
Ao longo da carreira, Itamar foi chamado de maldito, underground e marginal. Acostumado a desafiar preconceitos, rejeitava esses rótulos, afirmando: “Sou um revolucionário.”  As letras cáusticas e a competência como músico atraíram a atenção – e conquistaram a amizade – de cantoras reconhecidas do mundo pop como Rita Lee, Zélia Duncan, Cássia Eller. Itamar faz samba, reggae, funk , rock e, ultimamente, até rap.

Morava em uma casa alugada no bairro da Penha, zona leste de São Paulo. Não tinha carro, nem plano de saúde. Para fazer três cirurgias para extirpação de um tumor no intestino, foi internado no Hospital das Clínicas de São Paulo. “Sou compositor de música popular, mas a nossa música não atingiu a maioria, as pessoas não conhecem a própria história.” Sentir-se livre para criar, compor e tocar era fundamental para Itamar Assumpção. “Conheço Cartola, Paulinho da Viola, Luiz Gonzaga, mas fazer música é uma coisa sempre nova.”
Casado “há 200 anos” com a dona de casa Zena, pai de duas filhas – a professora de inglês Serena, de 24 nos e Anelis, de 21, cantora como o pai – Itamar nunca se submeteu às imposições das gravadoras. “Nunca quis me dar bem, quero mais é ser dono do meu trabalho”, orgulha-se. “Não recebi herança, minha música é meu patrimônio e eu mando na minha carreira”, afirmava.

Na Alemanha, onde seu trabalho é bastante respeitado, atirou uma lata de cerveja em policiais que faziam sinais para que ele falasse baixo, na rua. Em 1996, desentendeu-se com a coordenação da Gravadora Paradoxx. Na época, ele chegou a declarar, em entrevistas, que a empresa não quis promover seu disco "Pra Sempre Agora", em homenagem ao sambista Ataulfo Alves. Foi na prisão, onde ficou durante cinco dias, que o artista, aos 21 anos, descobriu sua profunda identificação com a música. Vítima do preconceito racial, foi preso em Londrina, no Paraná, onde morava, simplesmente porque carregava um toca-fitas nas mãos. “Preto é sempre suspeito”, comenta. Mas não encomprida a conversa: “Sou preto, não sou mulato, mas não falo de racismo, tenho dom, talento.”
Na cadeia, caiu nas graças de um dos presos mais respeitados. Arranjou um violão e começou a tocar. “Eu tinha de ficar ali para ouvir um recado. Um bandidão, de olho vazado, me olhou e me disse que eu cantava bem.”

Itamar Assumpção nasceu em 13 de setembro de 1949, na cidade de Tietê, interior de São Paulo. Estudou contabilidade e cumpriu expediente em cartório. “Trabalho burocrático não é melhor nem pior que qualquer outro, tudo depende do lugar onde a gente está”, garantia. Para sobreviver, entregou carnês de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), em São Paulo. A experiência ajudou o cantor a conhecer muito bem a cidade.
Itamar Assumpção faleceu aos 53 anos, em 12 de junho de 2003.
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Itamar Assumpção
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