Uma das mais populares cantoras da era do rádio nas décadas de 40 e 50, era conhecida como Personalíssima, tendo conquistado a fama com canções como De Conversa em Conversa, Mocinho Bonito, Pé de Manacá e Mensagem. Gravou Duas Mulheres e Um Homem, estourando nas paradas nos anos 50. Descendente de italianos, Isaurinha foi a primeira cantora paulista a fazer sucesso no Rio de Janeiro e no resto do país, cantando samba com sotaque típico da Zona Leste. Nascida no bairro do Brás, foi operária de uma fábrica de tecidos e iniciou na carreira ao vencer um concurso de novos talentos aos treze anos. Casou-se pela primeira vez aos quatorze anos. Chegou a formar dupla com o cantor Vassourinha para apresentações em shows e em circos e excursionou por todo o Brasil.
Em 1938, sem nunca trocar São Paulo pelo Rio de Janeiro, Isaurinha foi contratada pela Rádio Record, de onde jamais se afastou. Em 1952, elegeu-se a melhor intérprete de música popular em São Paulo. A cantora foi casada pela segunda vez com o organista Walter Wanderley, falecido em 1986 nos Estados Unidos, numa união tempestuosa, quando o casal se envolveu em brigas noticiadas constantemente pela imprensa da época.
A Revista do Rádio publicou em sua edição de 11.05.1957: A notícia de sensação, no rádio paulista - e também no carioca, posto que a estrela desfruta de enorme prestígio com os fãs de todo o país - é a do casamento de Isaurinha Garcia, com um pianista pernambucano. Depois de amar e sofrer durante os longos e tumultuados quinze anos de seu casamento, ela criou para si um novo universo, uma casa de tijolos vermelhos e janelas brancas, jardim com rosas, passarinhos e a filha Mônica. Ela afirmaria: Acho que há em mim duas pessoas. Eu amei muito. Amei de verdade. E sofri muito. Então, eliminei primeiro aquilo que me fazia sofrer. Me apego muito às pessoas, aos animais, a tudo. E depois fico com medo de perder. Gostar mais de alguém não vou gostar, não. Me apavorei. Entretanto, sua voz, de timbre agudo e anasalado, marcou refrãos como quando o carteiro chegou/E o teu nome gritou/Com uma carta na mão... Isaurinha Garcia faleceu aos 70 anos, em 30 de agosto de 1993. |