Um dos maiores nomes que o Brasil já teve na música clássica, foi definida por Debussy, em início de sua carreira meteórica, como uma jovem brasileira de 13 anos, que tem os olhos cheios de música. A grande dama da música brasileira nasceu em São João da Boa Vista, São Paulo e, aos sete anos, deu seu primeiro concerto profissional, continuando os estudos com uma bolsa no Conservatório de Paris, da qual foi premiada pelo governo paulista. Seguiu para a França em 1909, sendo a primeira colocada no concurso de admissão à instituição. Última a se inscrever entre 388 concorrentes, pois seu navio se atrasara, Guiomar disputou uma das duas vagas que havia, para estrangeiros. Entre os jurados estavam Debussy e Fauré. Um ano e meio depois, passou com tanta distinção no exame final, que foi elogiadíssima pela imprensa parisiense. Com uma agenda lotada na Europa, Guiomar transformou-se em exímia pianista de projeção internacional, chegando a gravar Chopin, Schumann e Beethoven. Com a I Guerra Mundial, voltou ao Brasil e, em 1915, estreou nos Estados Unidos, com elogios do jornal The New York Times. Durante quase sete décadas, viajou pelo mundo atendendo a concorridas temporadas. Curiosamente, e por temperamento conservador, abandonou no meio a Semana de Arte de 1922, onde havia sido convidada para tocar Villa-Lobos, quando, numa das apresentações foram tocadas músicas de Erik Satie, com sátiras a Chopin, um de seus compositores prediletos. Solista da Orquestra Sinfônica de Boston aos 24 anos, na década de 50 Guiomar apresentou-se ao lado de grandes personalidades do mundo musical, entre eles, Arthur Rubinstein e Isaac Stern. Foi a principal atração na inauguração do teatro Queen Elizabeth, de Londres. Afastada das salas de concerto nos sete últimos anos de sua existência, vivia calmamente em seu pequeno apartamento em São Paulo. Viúva desde 1950, Guiomar Novaes Pinto tinha um casal de filhos e quatro netos. A artista faleceu aos 83 anos, em 10 de março de 1979. |