Atriz, escritora, compositora, cantora lírica, diretora de cinema e roteirista, estreou no teatro musical em 1934 com A Canção Brasileira, de H. Vogeler. Nascida em Paris, filha de pais brasileiros, só conheceu o Brasil aos quatro anos e aqui só se radicou aos dez. Conheceu Vicente Celestino no início de sua carreira, ao integrar a Companhia dos Irmãos Celestino (Vicente, Pedro, Radamés e Amadeu), em 1936. Nesse ano, o cantor gravaria O Ébrio pela RCA Victor, sua música de maior sucesso, depois adaptada para o teatro, estreando na capital paulista em 1942. Ainda em 1936, protagonizaram juntos, sob a direção de Oduvaldo Vianna, o filme Bonequinha de Seda, considerado a primeira superprodução do cinema nacional. Com o mesmo diretor, atuou em Alegria, de 1937. Gilda e Celestino vieram a casar-se em 1938, com o intérprete no auge da fama. Em 1946, ela dirigiu o marido em O Ébrio, filme que seguiu o sucesso da música e que a tornou a segunda mulher a dirigir filmes no Brasil (a primeira foi Carmem Santos). Em exibição por mais de três meses, o filme contava a tragédia do Dr. Gilberto Silva, transformado em alcoólatra por ter sido abandonado pela amada.

Gilda fez Pinguinho de Gente em 1947 e, em 1951, escreveu e dirigiu Coração Materno, outro sucesso do cantor, tendo também atuado novamente ao seu lado. Em 1955, encerrou sua carreira cinematográfica escrevendo o roteiro de Chico Viola Não Morreu, baseado na vida de Francisco Alves. Com a morte do marido em 1968, ela passou a viver no anonimato em seu apartamento no Morro da Viúva, Rio de Janeiro. Em 1977, surpreendia a opinião pública com um novo casamento, desta vez com o cantor lírico José Spinto, 39 anos mais novo que ela. Gilda chegou a escrever seis romances e adaptou-os para o rádio (Mestiça, Aleluia, A Cigana, Coração Materno, Arma de Palhaço, Sorri e o Mundo Será Teu), onde participou como atriz e autora de centenas de novelas. Lançou também a biografia de Celestino, o notável cantor com quem esteve casada durante 32 anos, até sua morte: A Vida de Vicente Celestino. Gilda faleceu aos 74 anos, em 4 de junho de 1979.       
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Gilda de Abreu
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