Escritor e sociólogo natural de Pernambuco, considerado uma das mais fortes afirmações de brasilidade e cultura. Tornou-se conhecido pela autoria de 'Casa Grande e Senzala', sua primeira obra, escrita em 1933. Roberto Rossellini, o gênio do cinema neo-realista italiano, apaixonou-se por este livro, queria filmá-lo e ficou amigo do escritor. Controvertido e polêmico, Freyre já foi chamado de anarquista e reacionário, de pornográfico e conservador, de romantizar a escravidão e ser a âncora da tese da democracia racial. 'Casa Grande e Senzala' foi apelidada de 'Casa Grande Sem Sala' e aconselhada a ser queimada e, por outro lado, classificada pelo crítico Antonio Cândido como uma das obras do século no Brasil. Ao lado de 'Raízes do Brasil', de Sergio Buarque de Holanda, e 'Formação do Brasil Contemporâneo', de Caio Prado Junior, foi considerado os três principais livros para se entender o Brasil.
Freyre estudou no Colégio Americano Batista do Recife e seguiu para os Estados Unidos, onde cursou as Universidades de Baylor e Columbia e recebeu o diploma de Master of Arts. Viajou para a Europa, frequentou Oxford, na Inglaterra, e fez um curso de Antropologia e História Social na Alemanha. No Brasil, passou a liderar os círculos intelectuais e ganhou a alcunha de Mestre do Recife. Foi condecorado pela Rainha Elizabeth II como Cavaleiro do Império Britânico, com o título de Sir, em 1971. Durante sua trajetória profissional, fez opção à Semana de Arte Moderna em 1922 e atribuía a força cultural e a riqueza da nação à mistura de raças. Em sua análise da cultura brasileira, valorizou a alimentação e o sexo.
Escreveu também outra obra notável, 'Sobrados e Mocambos', em 1936. 'Ordem e Progresso' viria em 1959. De estilo fácil, descreve os costumes do Brasil império, demonstrando um trabalho de pesquisa extraordinário. Seu talento com os pincéis também permitiu expor 44 trabalhos na Galeria Metropolitana do Recife, em 1985. Na mostra, intitulada 'Desenhos e Cor: Figuras Humanas e Paisagens', ele usou técnicas como lápis-tinta sobre papel, óleo sobre tela e lápis-tinta e aquarela sobre papel. Os temas preferidos foram: crianças, mercado de escravos, a noite, assombração, banho de mar, jangadeiros e arquitetura colonial religiosa. De acordo com suas palavras, procurou valorizar o que via com os olhos de menino, destituído de qualquer qualificação intelectual.
Freyre era casado com Magdalena e registra-se uma agitada atividade sexual em sua biografia. Segundo ele, gostava de fazer sexo com mulheres dos países exóticos que visitava por curiosidade antropológica. Na juventude, teve um relacionamento homossexual. De acordo com Edson Nery da Fonseca, isso ocorreu com um colega em Oxford, Esme Howard Junior, filho de um lorde inglês que era embaixador em Madri. Esme gostava tanto dele que chegou a mandar confeccionar um camafeu para ele. Por sua vez, Freyre dedicou a Howard uma conferência sobre o mito de Don Juan, proferida logo que chegou a Oxford.
O sociólogo morava no esplêndido solar de Santo Antonio de Apipucos, nos arredores do Recife, que foi sede de engenho e, graças a um perfeito sistema de ventilação forjado no século passado, e às grossas paredes que barram o calor, mantinha sempre uma temperatura dois graus inferior à do centro da cidade. Freyre morreu aos 87 anos, em 18 de julho de 1987. |