Autor belga de novelas policiais, tornou-se famoso em 1930 ao criar o Inspetor Maigret, um dos personagens mais destacados em literatura do gênero. Escreveu mais de 1500 histórias entre 1922 e 1936 e, a partir desse ano, produziu a média de doze romances anuais. Seu nome aparece em mais de 200 publicações, sendo, entretanto, o autor de outros 400 livros, lançados sob 17 pseudônimos diferentes. Foi traduzido para 55 idiomas, com cerca de 50 adaptações para o cinema, onde se destacam: A Casa das Sete Meninas, As Férias de Maigret, A Velha Senhora, O Gato, O Cão Amarelo e Maigret em Nova York.
A ex-esposa do escritor, Denyse Simenon, publicou um livro sobre o período em que viveram juntos, Un Oiseau Pour le Chat, onde descreve a crueldade com que era tratada. Durante a II Guerra Mundial, datilógrafa na Filadélfia, fora recomendada por um amigo a Simenon, que vivia no Canadá. Marcaram um encontro em Nova York, onde ambos se apaixonaram. Foi, então, para a casa do romancista, como sua secretária. Ele ainda morava com a primeira esposa, uma mulher de temperamento extremamente liberal que logo entendeu a situação, quando passaram a viver uma espécie de menage a trois. Entre brigas onde não faltavam bofetadas, Simenon continuava a manter relações com outras mulheres, inclusive com call-girls de boates e cabarés. Em seu livro, Denyse descreve particularidades escabrosas, especialmente da violência sofrida pelo intenso ciúme do ex-marido. Nem mesmo sua gravidez, durante o ano de 1949, abrandou seu temperamento. Nessas ocasiões, quando apanhava, sua única preocupação era defender o ventre, cada vez mais protuberante. Somente depois do nascimento do primeiro filho que Simenon decidiu divorciar-se da primeira esposa e casar-se com Denyse. Seguem-se a eleição do escritor para a Academia Real da Bélgica, o nascimento do segundo filho e a mudança da família para a Suíça. Em Lausanne nasce o terceiro filho do casal. Simenon se envolve com a bebida e a esposa, diante de contínuos colapsos nervosos, passa parte de sua vida em casas de saúde. Quando tem alta, separam-se definitivamente, Simenon voltou a casar-se mais uma vez.
Em 1981, Denyse processava o escritor, sob a alegação de que ele estava devassando sua intimidade, ao publicar um impressionante relato autobiográfico, intitulado O Livro de Marie-Jo, uma homenagem à filha que suicidara-se aos 25 anos, em 1978. Com texto longo, em cerca de 600 páginas vão brotando confidências íntimas e constrangedoras. Numa segunda parte, Simenon acrescentou 100 páginas de transcrições de cartas, poemas e fitas gravadas pela filha, tudo impregnado de desespero e pulsão incestuosa. Nessa obra, o escritor refere-se à mãe de Marie-Jo, Denyse, como uma mulher odiosa, governada pela bebida e pela loucura, em parte responsável pela morte da filha. Denyse conseguiu apenas a supressão de nove linhas do livro. Em 1994, era publicado Georges Simenon, uma Biografia, de Pierre Assouline. O escritor faleceu aos 86 anos, em 4 de setembro de 1989. |