Arquiteto, artista plástico, teatrólogo, sociólogo, ensaísta, pintor, um dos maiores agitadores culturais de São Paulo, o único artista brasileiro a receber um Grande Prêmio do Júri em uma Bienal. Suas telas e desenhos, de cunho expressionista, o apontam como um dos bons artistas brasileiros da primeira métade do século XX. Pioneiro da arquitetura e do teatro experimental nacional, da utilização do álcool como combustível e do uso das lentes de contato. Empreendedor dos negócios mais mirabolantes e às vezes previamente destinados ao fracasso, sua primeira exposição individual exibiu nada menos do que 131 trabalhos, talvez um recorde mundial. Figura um tanto excêntrica e curiosa para os padrões convencionais, causou polêmica sua ousadia ao lançar e promover a minissaia para homens. Em 1956, saiu às ruas de São Paulo vestindo um sumário saiote transparente. Quase foi linchado, mas lançou o que considerava o traje ideal para o homem dos trópicos. Flávio também perturbou participantes de um cortejo religioso com um chapéu verde e transformou uma meia em gravata para ser admitido em uma festa de gala.
Com mais de 1,80 m de altura, nascido de família aristocrática, era filho único de abastados cafeicultores de Barra Mansa. Amigo de Oswald de Andrade, chegou atrasado para a Semana Modernista de 22. Seis meses depois da agitação, desembarcava da Europa, onde passara onze anos estudando na Inglaterra. Foi só em 1927, com um projeto impraticável para o Palácio do Governo do Estado de São Paulo, que se colocou no centro das discussões vanguardistas.
Também na vida privada, Flávio não foi um homem ortodoxo. Manteve por anos uma guerra edipiana com o pai, teve relações instáveis com todos ao redor, acreditando-se sempre perseguido. Embora celibatário convicto, revelou-se um conquistador contumaz e teve inúmeras mulheres, entre as quais, de modo incestuoso, uma filha, Sonia. Era um homem formado e informado, certamente mais que muitos de seu tempo. Em 1994, era lançado 'Flávio de Carvalho, O Comedor de Emoções', biografia do artista da autoria de J. Toledo. Flávio faleceu aos 74 anos, em 16 de junho de 1973. |