Cineasta italiano, um dos expoentes do neo-realismo do pós-guerra e responsável por 21 filmes entre 1950 e 1990. Viveu a infância e juventude em Rimini, e com 20 anos foi para Roma e entrou pela primeira vez na Cinecittá. Ingressou na equipe de Aldo Fabrizzi e, aos 25 anos estreava na direção. Em 1952, apresentou no Festival de Veneza Abismo de um Sonho (Lo Sceicco Bianco), estrelado por Alberto Sordi e Giulietta Masina, e narrando a história de uma mulher que procura o personagem de uma fotonovela e se decepciona ao encontrá-lo. Contemporâneo de Roberto Rossellini, Luchino Visconti, Michelangelo Antonioni, Vittorio de Sica, Pietro Germi e Alberto Lattuada, Fellini foi o mais importante de todos. Considerado pelos críticos como irreverente, grotesco, louco, mas, acima de tudo, um monstro sagrado do cinema. Chegou a receber cinco Oscars (mais do que qualquer cineasta americano), sendo o primeiro em 1956, por A Estrada da Vida (La Strada), o segundo em 1957, por Noites de Cabíria, o terceiro em 1962, por Oito e Meio, o quarto em 1974, por Amarcord, e o último em 1993, pelo conjunto de sua obra. Quando se anunciou que seria premiado pela quinta vez, os motoristas do ponto de táxi da Piazza del Popolo, perto da casa onde ele morava em Roma, se perfilaram, bateram continência, molharam suas roupas com champanhe e aplaudiram. Com seus 100 quilos, chapéu de feltro, foi casado durante 50 anos com Giulietta Masina, atriz que participou em vários de seus filmes, interpretando Cabíria, Julieta, Gelsomina e outras. O próprio Fellini criou algumas lendas ao redor de si mesmo, como a de que teria nascido no vagão de um trem em movimento, quando no dia de seu nascimento uma greve de ferroviários paralisou todos os trens da região onde sua mãe deu à luz. Sandra Milo, estrela de dois dos seus filmes, escreveu o romance Caro Federico, onde a personagem principal, Selana, tem um suposto envolvimento erótico com o cineasta. Apesar de negar a veracidade da história, o livro foi motivo de escândalo e Fellini recusou-se a tocar no assunto. Sobre o cinema, a grande paixão de sua vida, ele afirmou: ...penso que o cinema tenha perdido autoridade, prestígio, mistério, magia, aquela tela gigantesca que se projeta sobre uma platéia devotadamente reunida diante de si, feita de homens pequenos, que olham, encantados, enormes rostos, enormes lábios, que vivem e respiram numa outra, inatingível dimensão, ao mesmo tempo fantástica e real, como aquela dos sonhos, essa grande e mágica tela não tem mais fascínio. Talvez tenhamos aprendido a dominá-la. Estamos maiores que ela. Veja como nós a reduzimos! Ei-la lá, pequena como uma caixa, entre a estante e um vaso. Às vezes se encontra na cozinha, perto da geladeira. Tornou-se um eletrodoméstico, e nós, sentados na poltrona, munidos de um controle remoto, exercemos sobre aquelas pequenas imagens um poder total, mudando o que é estranho e o que aborrece... Sua vida é relatada em Fellini - Uma Biografia, de Tullio Kezich, publicado em 1992. O cineasta faleceu aos 73 anos, em 31 de outubro de 1993. |
![]() |
Filmografia 1948: O Amor (L'Amore) (atuação) 1951: Mulheres e Luzes (Luci del Varietà) 1952: Abismo de um Sonho (Lo Sceicco Bianco) 1953: Os Boas Vidas (I Vitelloni) 1955: A Trapaça (Il Bidone) 1956: A Estrada da Vida (La Strada) 1957: Noites de Cabíria (Le Notti di Cabiria) 1960: A Doce Vida (La Dolce Vita) 1962: Boccaccio 70 (idem) 1962: Oito e Meio 1965: Julieta dos Espíritos (Giulietta Degli Spiriti) 1967: Histórias Extraordinárias (Ter Passi Nel Delirio/Histories Extraordinaires) 1969: Satyricon (idem) 1972: Roma (idem) 1974: Amarcord 1976: Casanova (idem) 1979: Ensaio de Orquestra (Prova d'Orchestra) 1980: A Cidade das Mulheres (La Citta Delle Done) 1984: E la Nave Vá (idem) 1985: Ginger e Fred (idem ) 1990: A Voz da Lua (La Voce Della Luna) |
| o |
![]() |
| A pousada na reserva florestal de Campos do Jordão |
![]() |
| Para reservas e informações, clique aqui |
| Federico Fellini |
| Astros & Estrelas |