Poeta americana, uma das mais importantes da geração que brilhou após a II Guerra Mundial, adotou o Brasil nos anos 50 e por aqui permaneceu por cerca de vinte anos. Mereceu o principal prêmio da literatura americana, o Pulitzer, por sua obra Norte e Sul, de 1946.  Em 1965, lançou 'Questões de Viagem', registrando o período em que viveu no Brasil, com residências fixas no Rio de Janeiro, Petrópolis e Ouro Preto, além de aventuras pela Amazônia e pela bacia do Rio são Francisco. Bishop perdeu o pai aos 8 meses de vida, viu sua mãe enlouquecer e ser internada quando tinha 5 anos e foi criada pelos avós.

Depois de uma série de viagens pelos Estados Unidos e pelo mundo, aportou  por acaso no Brasil, em 1951. Com destino à Patagônia, o navio que a levava parou no Rio de Janeiro e ela decidiu rever os amigos que conhecera em Nova York. Ao encontrar a aristocrática Lota Macedo Soares, uma amiga do ex-governador Carlos Lacerda e por quem se apaixonou, desistiu do restante da viagem e passou a dividir uma casa com a amiga em Petrópolis. Nesse refúgio em meio à natureza, Bishop conseguiu reunir todos os seus papéis e sua biblioteca de 5.000 livros. Lá ela criava dois gatos, o papagaio Uncle Sam e escrevia artigos para as revistas New Yorker e National Geographic. 

Lota foi uma das idealizadoras do Aterro do Flamengo, no Rio, o mais espetacular parque urbano do lado de baixo do Equador. Ela era a ovelha de uma família tradicional, que em plenos anos dourados só usava calças compridas e camisas masculinas. Era culta e simpática, conhecia as pessoas certas e tinha energia.  Durante 15 dos quase 20 anos em que Bishop permaneceu no Brasil, elas mantiveram uma relação marcada pela paixão e pela tragédia. A partir de 1964, Lota sentia-se pressionada pela situação política e as viagens de Bishop ao exterior tornaram-se mais frequentes. No ano seguinte, ela foi convidada a lecionar Literatura na Universidade de Washington. Ao voltar, em 1966, encontrou Lota internada num hospital, com esgotamento nervoso. Bishop decidiu, então, levar a companheira para passar algumas semanas em Nova York e, poucos dias depois, ela suicidou-se. Desabafando a um amigo, a escritora afirmaria: 'Foi sua pátria que a matou. E é capaz de matar qualquer um que seja honesto e ambicioso e que queira fazer algo de bom'.

Embora chocada, Bishop manteve por vários anos sua casa em Ouro Preto. Em 1975, ela comprou um apartamento em Boston, que passou a dividir com uma nova companheira, e viu-se envolvida pela fama e pelo reconhecimento público à sua obra. Lota e Bishop nunca fizeram segredo de sua união, tanto que a amiga aparece em qualquer perfil biográfico da poeta, morta aos 68 anos, em outubro de 1979. Bishop e Lota mantinham uma grande amizade por Burle Marx.
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A pousada na reserva florestal de Campos do Jordão
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Elizabeth Bishop
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