Cantora que reuniu todos os críticos profissionais numa opinião unânime que a identificou como a expressão máxima da música popular brasileira, unindo em seu desempenho artístico uma interpretação magistral e uma voz melodiosa e pungente. Gaúcha natural de Porto Alegre, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1963, mas sua consagração aconteceu em São Paulo, ao estrear o programa O Fino da Bossa em 1965, ao lado de Jair Rodrigues e onde reunia grandes nomes da música popular na TV Record. A dupla lançou na mesma época o LP Dois na Bossa, incluindo seu primeiro grande sucesso, Menino das Laranjas, e um antológico pout-pou-ri de sambas de grandes compositores. O êxito foi tão grande que essa palavra francesa praticamente se confundiu com essa gravação a partir de então.

O sucesso de Elis repercutiu no exterior e, em 1968, ela foi chamada para representar o Brasil no MIDEM, em Cannes, o maior festival de disco da Europa. No dia da primeira apresentação, o Trio Bossa Jazz atacava o estribilho de Deixa e Elis entrava no palco, cantando, soltando a voz, o gesto, o sorriso e a platéia aplaudiu entusiasmada. Seguiu-se Upa Neguinho e, antes de terminar a música, o público vibrava, ovacionando novamente. Ao cerrar das cortinas, podia-se ouvir os pedidos de bis. Era a primeira vez que isso acontecia em todo o festival e, no mesmo dia, ela era contratada para se apresentar no Olympia de Paris. Na França, os jornais não economizaram elogios à moça brasileira que dominou o show do MIDEM. Resultado: 30 programas nas rádios, video-tapes por toda a Europa. Para a televisão de Luxemburgo, ela preparara um programa de três horas, assistido por l6 milhões de pessoas de seis países.

Uma década depois, sua popularidade voltava ao auge com o show Falso Brilhante, permanecendo vários meses em cartaz no Teatro Bandeirantes em São Paulo e permitindo a conquista de um estilo até hoje insuperável. Em 1977, ela lançava Transversal do Tempo, apresentando-se com o show nas principais capitais da Europa e em diversas cidades brasileiras. Em 18 anos de carreira, gravou 27 LPs, 14 compactos simples e 6 duplos. Casou-se com Ronaldo Bôscoli, numa união tempestuosa, e depois conheceu Cesar Camargo Mariano, tecladista e arranjador de seus shows que tornou-se seu segundo marido. Elis Regina de Carvalho Costa teve três filhos, João Marcelo, Pedro e Maria Rita.

Seu velório no Teatro Bandeirantes levou 25.000 fãs, sendo o enterro acompanhado por cerca de mil pessoas. Furacão Elis, livro que revela todas as faces da cantora, foi escrito pela jornalista Regina Echeverria e lançado em 1985. Trechos: ...Às vezes passava por profunda conhecedora de assuntos sobre os quais tinha apenas ouvido falar. Mas parecia estar sempre com a antena ligada. No dia seguinte era capaz de ensinar ao mestre o que aprendera e com um despudor desconcertante ...Por seus erros, por se descontrolar, por se desentender com os outros e consigo própria, Elis descobriu ao longo da vida o direito de mudar de idéia. Lutou desesperadamente por isso em seus 36 anos. Ela tinha a força dos obstinados ...Maria, Maria, uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer do planeta. Uma dose mais forte, lenta. Oito ou oitenta. Nenhuma indiferença. Elis Regina faleceu aos 36 anos, em 22 de janeiro de 1982.         
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