Figurinista de grande popularidade na década de 60, preferido da primeira-dama do país na época, Maria Tereza Goulart. Foi o primeiro brasileiro a comercializar seu nome em grife, tendo inventado a idéia de top-model e criado o mito do costureiro-estrela, artista e sensível. Nascido em Belém do Pará, segundo filho de um ex-jogador de futebol com uma estudante recém-chegada da Inglaterra, aos sete anos mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. O garoto tem aulas de balé e começa a desenhar vestidos. Estreou no mundo da costura aos doze anos, ao ingressar na Casa Canadá no Rio de Janeiro e contra os desejos da mãe, que queria vê-lo empregado como office-boy num escritório. Em 1952, consegue um estágio com Ruth Silveira, dona de um dos maiores ateliês do país. Em 1954, muda-se para São Paulo, para trabalhar na butique Scarlett. Aos 19 anos já possuía seu próprio ateliê, Dener Alta Costura, após sua convivência com a figurinista Maria Augusta. Em pouco tempo, vestia a alta sociedade brasileira, passando a usar roupas extravagantes e cabelos longos.
Descoberto pela imprensa, posava para os fotógrafos com túnicas bordadas de pedrarias e lânguidos gatos siameses ao colo. Primeiro brasileiro a ser reconhecido pela alta costura internacional, Dener chegou a ser convidado pela Casa Christian Dior para substituir seu falecido criador. Foi recusada. Dener era tremendamente inseguro com relação a sua cultura, apesar das quatro línguas que falava, das viagens e cursos de arte na Europa, dos livros clássicos que costumava ler. Chegou a ser casado com Maria Stela Splendore e Vera Carvalho, tendo dois filhos com a primeira esposa. Dener adorava casacos de vison, possuía catorze. Bebia champanhe francês e tinha especial predileção por óperas, sabia 28 de cor. Usava três carros para se locomover: um Galaxie, para as saídas matinais; um Mercedez Bens, para as noitadas, e uma limusine Cadillac presidencial, para as recepções de gala. Em sua mansão no aristocrático bairro do Pacaembú, forrada por quarenta tapetes persas e adornada por quilos de peças de prata, costumava receber a fina flor da sociedade paulistana. Ao ter a propriedade assaltada por três ladrões, o costureiro pediu um tempo para se vestir. Reapareceu no salão de robe de veludo preto e sandálias com filete de ouro. Pedi à empregada meu robe de chambre, mas ela, afobada, me trouxe uma saída de praia, disse mais tarde à imprensa.
Dener detestava as adolescentes das discotecas, que amarram uns trapos no corpo, e lutava contra as meias soquetes e as sandálias das mais jovens, que considerava o lixo da moda. Entretanto, Dener jamais fez moda popular, tendo fracassado nas tentativas de desenvolver um pret-a-porter nacional. Numa época de suntuosidade, não se pode dizer que ele tenha inventado uma determinada linha ou lançado um modismo. Não se destinava à criação da moda propriamente dita. O que fazia na verdade, era manipular com incomparável habilidade materiais caríssimos, bem de acordo com o gosto da alta sociedade. Eram clientes que achavam o máximo vestir os modelos luxuosos que ele impunha com a determinação que seu prestígio permitia.
Seus trajes de noiva eram deslumbrantes e chegavam as raias do exagero. E seus preços eram estratosféricos. Viveu das roupas de gala, da vaidade das milionárias que compravam um longo para cada festa a que eram convidadas e dos casamentos das famílias ricas de todo o país. Em 1972, tornou-se jurado do Programa Flávio Cavalcanti e é proibido pela censura de aparecer na TV, por ser considerado efeminado demais. Dener, enquanto viveu, foi um luxo, expressão que ele criou e acabou transformando em gíria em meados dos anos 60. O estilista escreveu um livro autobiográfico em 1972, 'Dener, o Luxo'. Em 1998, foram lançados ?O Bordado da Fama ' Uma Biografia de Dener', do sociólogo Carlos Dória, e 'A Ópera de Dener', da jornalista Maria Doria. Dener morreu aos 42 anos, em 12 de novembro de 1978. |