Uma das maiores comediantes brasileiras, conquistou, entre outros, três prêmios Roquette Pinto e três Troféu Imprensa. No cinema, atuou na chanchada O Espírito de Porco e fez par cômico com Zé Trindade em Mulheres à Vista, em 1958. Maria Consuelo da Costa Ortiz Nogueira nasceu em Lorena, interior de São Paulo, e, aos 6 anos de idade, foi convidada para participar de uma procissão do Senhor dos Passos de São Benedito, descobrindo sua vocação de artista. Vestiu-se de anjo e exigiu que a mãe bordasse uma cruz de strass na roupa, pois queria brilhar. No colégio de freiras representava, dançava e tocava piano. Mais tarde, entrou para a escola de dança do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

O primeiro papel como atriz veio por meio de um convite para participar do festival de Antonin Chekov, o dramaturgo russo, realizado por Paschoal Carlos Magno com o grupo do Teatro do Estudante, no Rio. Com o sucesso da apresentação, Consuelo Leandro deparou-se com duas opções para iniciar uma carreira: o teatro de revista ou a comédia. Ela optou pela primeira e, em 1953, estreou, com a Companhia Zico Ribeiro, Carrossel de Mulheres, no extinto Teatro Fróes, em Copacabana. A comediante adotou o nome Leandro do avô. Não foi propriamente uma homenagem. Ao contrário, foi a maneira que encontrou para provocá-lo, que era contra sua entrada no meio artístico. Foi criada com toda a austeridade pelo avô militar e teve a coragem de entrar para o teatro de revista. Resultado: aos 17 anos foi expulsa de casa depois de contar que tinha virado artista. Com o deboche que lhe era peculiar, trocou o sobrenome Costa Ortiz por Leandro.

Quando lhe perguntaram porque resolvera entrar para o teatro de revista, respondeu: Acho que aquilo já estava em mim. Faltava às aulas de teatro e piano para ir à Rádio Nacional, no Rio.  Depois da estréia no teatro, Consuelo partiu para o rádio e sua voz ficou famosa no Brasil todo por meio da Rádio Nacional, na qual ela fazia radioteatro e o humorístico Balança Mas Não Cai, mais tarde produzido para a televisão. Consuelo Leandro começou na televisão em 1961, no programa A Praça da Alegria, criação do humorista Manoel da Nóbrega, a quem costumava chamar de ?irmãozão?. Em 1986, ela teve a oportunidade de reviver seus momentos de rádio interpretando a personagem Lili Bolero, na novela Cambalacho, da Rede Globo.

Com 46 anos de carreira, Consuelo era contratada do SBT e desde 1987 fazia parte do elenco fixo do humorístico A Praça É Nossa, conduzido por Carlos Alberto de Nóbrega. Na TV Rio, Nóbrega o pai, criou um dos mais conhecidos personagens da comediante, a ricaça Cremilda, aquela que tinha por bordão o meu marido Oscar. Na realidade, Consuelo foi casada duas vezes e não tinha filhos, a primeira com o também comediante Agildo Ribeiro. Ela foi uma mulher que marcou sua vida e ficou grávida do humorista cinco vezes.

Em 1961, Consuelo foi vítima de um acidente automobilístico ao lado de Walter Pinto e Íris Bruzzi, quando o carro em que estavam capotou na pista do aterro da Glória, no Rio de Janeiro. O casal saiu ileso, mas Consuelo sofreu fratura de duas costelas. Fumante inveterada, em 1987, Consuelo foi submetida a uma cirurgia de emergência para a implantação de três pontes de safena. Tinha 53 anos. Recebeu alta depois de 30 dias no Hospital da Beneficência Portuguesa e, no período de internação, fazia os médicos rirem com seu jeito escrachado e suas tiradas rápidas. Quatro dias depois de ser operada, soube que um amigo estava internado para submeter-se à mesma cirurgia e não teve dúvidas: desceu dois andares e foi preparar o ânimo do amigo para a operação.

Numa entevista poucos anos depois do implante, Consuelo dizia, magoada, que as pontes de safena tinham sido conseqüência da quantidade de desaforos que foi obrigada a receber na vida. Se tivesse nascido rica, não teria engolido tanto sapo, disse. Reclamava também de não ter sido remunerada da maneira que merecia. Fui muito boba, muito explorada, reclamou. Quando trato um trabalho, o sujeito vem com aquela conversa de que o dinheiro está curto e, infelizmente, não podem pagar o tanto que vale o meu talento e etc. Pouco antes de ser internada, fez no programa A Praça É Nossa, a cômica Francis Layde, mãe da candidata a miss Creusa Eugênia. A comediante faleceu aos 67 anos, em 5 de julho de 1999.                                                                                                                
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Consuelo Leandro
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