Considerada por todos os profissionais da alta costura a estilista francesa de maior prestígio e a mais famosa do século, tendo influenciado o mundo da moda durante décadas seguidas. Seus vestidos transformaram a roupa em arte e suas inovações assombraram o mundo da moda na década de 20. Era conhecida como Mademoiselle, por nunca ter-se casado, embora seus casos amorosos tenham ficado famosos. Aos 11 anos, orfã e pobre em Saumur, na França, foi criada num orfanato mas fez da elegância algo mais importante que o berço. Trabalhou como balconista e, com o firme intuito de vencer na vida, pôs-se à caça de amantes, de preferência ricos. Seu envolvimento com o milionário Etienne Balsan foi recompensador, pois foi ele que financiou sua ida para Paris. O segundo, o cobiçado playboy inglês Arthur Capel, custeou sua primeira loja. Mais adiante, o duque de Westminster a cobriu de jóias e pôs à sua disposição tecelões de primeira. No auge da fama, recusou a mão do duque, embora já fossem amantes.
Em 1916, ao introduzir o jérsei nas roupas femininas, Chanel conquistou a fama. O corte Chanel de cabelos curtos foi lançado pela estilista em 1918, de maneira absolutamente casual: certa vez, quando ela se preparava para uma noite na Ópera de Paris, o aquecedor de seu banheiro estourou e queimou-lhe as pontas do cabelo. Como estivesse com pressa, Chanel não teve outro recurso senão cortá-lo sozinha, e o sucesso foi imediato e duradouro. Na década seguinte, ela lançava a moda unissex. Chanel nunca se casou, nem teve filhos, registrando-se também algumas passagens homossexuais em sua vida sentimental. Certa vez, afirmou: 'Enquanto se souber que a maioria dos homens é igual às crianças, sabe-se tudo'.
Em 1931, ela concordou em ir para Hollywood, apesar de lá existirem grandes estilistas. Mas somente Chanel poderia dar aquele algo mais que só Paris oferecia e os americanos admiravam. Acabou passando um ano nos Estados Unidos. Gabrielle B. Chanel, na realidade, dedicou-se profundamente à arte do bem vestir, adotando um estilo clássico e extremamente elegante e atraindo clientes famosas da alta sociedade na época. Chanel, que nunca desenhou e trabalhava direto no tecido, criou o célebre tailleur: saia, casaquinho com arremate trançado e bolsinhos. Suas idéias tinham a simplicidade de um gênio. Friorenta, adotou peles no forro e nos detalhes de seus modelos e casacos com grandes bolsos. Pôs uma correntinha na bolsa e a pendurou no ombro, para facilitar. Um sucesso mundial. No dia em que o presidente John Kennedy foi assassinado, Jackie usava um Chanel. Vamos vesti-las de preto, com simplicidade, disse das mulheres, antes de inventar a moda moderna e o Chanel nº 5. O "pretinho básico" foi batizado pela revista Vogue como o "Ford dos vestidos".
Nos anos difíceis do pós-guerra, foi com perfumes, luvas e camélias estilizadas - flor que virou marca registrada - que Chanel se sustentou. Amiga de gente famosa, Churchill deu um jeito para que não fosse presa no fim da II Guerra, por haver passado os anos de ocupação de Paris instalada no hotel Ritz com o amante, um barão alemão. Chanel era franzina, quadris estreitos, seios pequenos, carinha simiesca. Compensava com o raciocínio rápido, o olhar ardente e a voz rouca. Sua trajetória é contada no livro 'Chanel, Seu Estilo e Sua Vida', da escritora americana Janet Wallach, em 1999. Foi também transformada em roteiro de uma peça na Broadway em 1969, com Katherine Hepburn no papel principal. Em 1981, voltou a ser lembrada na minissérie para a televisão, 'Chanel, a Solidão de uma Mulher' (Chanel Solitaire), estrelada por Marie-France Pisier. O filme narra a história da famosa dama da alta costura, revelando que ela era uma pessoa má, que não media esforços para subir na vida e contava mentiras para disfarçar sua origem modesta no interior da França. Irritados, os diretores da Maison Chanel tentaram processar os produtores da película. A Justiça francesa, porém, não aceitou a denúncia e mandou arquivar o processo. Chanel morreu aos 87 anos, em 10 de janeiro de 1971. |