Intérprete do rock brasileiro, misturava uma série de ritmos ao seu repertório, do rap ao samba, dos clássicos da música popular brasileira aos hits internacionais. A menina que queria ser cantora de ópera, virou pop star e morreu no dia 29 de dezembro de 2001 em consequência do consumo de drogas, aos 39 anos. O público a adorou desde o início de uma carreira de 11 anos, lotando seus shows, comprando todos os seus discos e se deliciando com sua irreverência, suas frases de efeito e suas atitudes escandalosas e desbocadas no palco. No início de 2001, Cássia garantiu as primeiras páginas nos jornais e revistas, ao mostrar seus seios no show que abriu o Rock in Rio III. A estrela mal comportada, devido às atitudes, surpreendia com uma posição agressiva e pouco convencional, mas sua música era da melhor qualidade.

Cássia nasceu no Rio de Janeiro, filha de um militar, o que a fez morar em várias cidades durante a infância. A menina ganhou seu primeiro violão da mãe, aos 8 anos. Dela, herdou o variado gosto pela música e a convivência com os profissionais. Aos 14 anos, Cássia já  cantava, mas não era muito chegada aos estudos. Aos 18 anos, virou profissional. Cantava em bares de Brasília, nos anos 80, e educava sua voz em cima do trio elétrico Massa Real e grupos de forró, contrariando a primeira expectativa de ser cantora
Cássia Eller
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Astros & Estrelas
de ópera, idéia que durou apenas seis meses. A primeira gravação veio em 1989, uma fita "demo" feita sob a influência de um tio. Agradou em cheio à Polygram, que lançara seu primeiro CD em 1990, com seu nome no título e um hit instantâneo: 'Por Enquanto', de Renato Russo. Cássia vendeu 30 mil cópias e foi reconhecida como estrela.  A partir de então, não teve dificuldade para reunir seu repertório: Marisa Monte, Caetano Veloso, Gilberto Gil, os titãs Nando Reis e Arnaldo Antunes lhe deram composições inéditas, que ela juntou a sucessos antigos.

A inquietude mostrada nos palcos e nos estúdios começou a ser domada com o tempo. O encontro com um lado mais doce aconteceu quando Cássia conheceu o titã Nando Reis. Gravou 'E.C.T.', parceria de Nando, Carlinhos Brown e Marisa, no disco 'Cássia Eller', de 1994. A amizade rendeu à cantora as músicas 'O Segundo Sol', do disco 'Com Você... Meu Mundo Ficaria Completo', de 1999, e 'Relicário', uma das gravações do 'Acústico MTV', de 2001. Essas obras foram produzidas por Nando Reis e tornaram-se responsáveis pela chegada de Cássia ao topo do sucesso. Dos sete discos gravados ao longo da carreira, três foram produzidos em 1997, ano em que juntou sua voz poderosa ao lirismo rasgante de Cazuza. Os dois mal chegaram a se conhecer, mas a cantora admitia ser fã ardorosa.

Cássia vivia uma relação homossexual com Eugênia, há treze anos. Entretanto, em 1992, anunciou sua gravidez. O pai era seu baixista, Fialho, que morreu pouco depois do nascimento de Francisco. A roqueira era mãe extremada, vivia falando do menino em todas as ocasiões. Nas entrevistas, brincava com sua opção sexual, assumida com tranquilidade, mas se recusava a ser porta-voz de qualquer grupo. Embora prestigiada pela gravadora, pela crítica e por um público fiel que lhe garantiu vendagens de, no mínimo, cem mil cópias por CD, o sucesso inicial do primeiro disco só se repetiria em 2001, quando ela lançou o 'Acústico MTV', gravado no mês de março. Foi um lançamento de estrela internacional, com direito a intensa campanha na mídia, DVD de luxo e CD que alcançou, de cara, 250 mil cópias vendidas. Cássia seguiu a história de seus ídolos. Além de terem em comum a rebeldia, a homossexualidade e o talento de interpretar letras que falavam direto aos jovens, Cássia, Renato e Cazuza nos deixaram precocemente, antes dos 40 anos e no auge da carreira.
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