Paisagista brasileiro nascido em São Paulo, a maior autoridade do mundo em sua especialidade, autor de mais de 2.000 projetos, sendo cerca de um quarto executado em cidades brasileiras e alguns no exterior. Entre os mais famosos, destacam-se o Parque do Flamengo (um enorme parque de quatro milhões de metros quadrados cortado por duas vias de alta velocidade), Outeiro da Glória, Parque da Catacumba (um jardim ornado com  estátuas), calçadão de Copacabana, os jardins da Pampulha em Belo Horizonte e o do Palácio do Itamaraty em Brasília. Plantou jardins na Venezuela, na Suiça, na Holanda, na Bélgica, em Cuba, em Porto Rico e na Índia.

Roberto Burle Marx foi com a família para o Rio de Janeiro quando tinha cinco anos, indo morar na Rua Araújo Gondim, que mais tarde virou Ribeiro da Costa, tio do arquiteto. Sua mãe gostava de plantas e cultivava um jardim pouco maior que um canteirinho. Na idade da primeira comunhão, o menino já colecionava suas flores. Em 1928, com 19 anos, foi para Berlim, inscrito num curso de pintura. Passou alguns anos na Europa, mantendo convívio diário com exposições, óperas, teatros e museus, daí seu interesse em preservar o patrimônio artístico e cultural brasileiro. Despertou para os jardins também em Berlim, ao visitar o jardim botânico da cidade e ali descobrir inúmeras espécies brasileiras. Em 1930, Lúcio Costa, seu grande incentivador, convidou-o a fazer os jardins de um projeto que idealizou a avenida Atlântica.

Burle viveu em Pernambuco durante alguns anos, como diretor de parques e jardins do Recife. Nunca se deu bem com Oscar Niemayer, nem com Juscelino Kubitschek. Este último, na época em que era prefeito de Belo Horizonte, encomendou-lhe os jardins da Pampulha. Pelo valor dos serviços, foi cobrado 15.000 cruzeiros, não tendo sido incluído despesas com passagem e hotel. A cobrança do dinheiro deu muita dor de cabeça a Burle, que procurava o prefeito em seu gabinete sem nunca encontrá-lo. Aborrecido, comentou com um amigo: Esse Juscelino está me tratando como moleque. O comentário chegou aos ouvidos do prefeito, que, magoado, afastou-se de Burle.

Outro prefeito, o do Rio de Janeiro, Alim Pedro, foi recepcionado num almoço onde um vistoso e denso arranjo de mesa fora providenciado pelo paisagista. Em pleno almoço, saltou ágil das folhagens de uma bromélia uma jararaca. Pânico geral na hora e gargalhadas depois. 

Por seu grande amor à natureza, Burle foi fervoroso defensor das reservas florestais brasileiras e jamais se omitiu quanto ao impiedoso desmatamento a que vem sendo submetidas imensas regiões do país, da floresta amazônica às matas do Paraná. Nas periódicas excursões que fez pelo interior do país, Burle encontrou treze espécies de begônia, antúrio, heliconia, filodendro e pontederia, todas elas batizadas por sete botânicos como Burle Marxii, nome científico dado em latim, língua oficial da ciência. Portanto, seu nome será também lembrado nos compêndios de Botânica.

Em 1982, Burle foi homenageado com a Medalha de Ouro da Academia de Arquitetura da França e o título Doutor Honoris Causa, concedido pela primeira vez a um brasileiro pelo Royal College of Arts de Londres. Em 1991, aconteceu uma retrospectiva de sua obra no Museu de Arte Moderna de Nova York. Com os cabelos brancos sempre revoltos, lenço de seda estampado enlaçado no pescoço e camisa colorida, o paisagista vivia no sítio Santo Antonio da Bica, uma imensa área verde de 800.000 metros quadrados em Guaratiba. Cheio de coqueiros cubanos, bouganvilles trazidos de Nairobi e uma infinidade de plantas brasileiras, um fantástico laboratório dos jardins que projetava. Burle morreu aos 84 anos, em  4 de junho de 1994.
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A  pousada na Reserva Florestal de Campos do Jordão
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Burle Marx
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