Escultor, estilista, ex-presidente do Museu de Arte Moderna de São Paulo e empresário de sucesso, tendo sido responsável pela criação da linha de perfumes Rastro, a segunda perfumaria nacional, logo depois da Phebo. Frequentador assíduo da alta sociedade paulista, sua vaidade se refletia na vestimenta, possuindo 200 camisas, 240 pares de meia e 60 pares de sapato. Era capaz de reunir em poucos minutos um dos grupos mais animados da cidade para uma festa, e contar histórias que deixavam indiferentemente bem ou mal as mais conhecidas figuras do país.
Em 1978, ele fez uma incursão no campo teatral, tornando-se produtor da peça Chuva, de Somerset Maugham, protagonizada por Consuelo Leandro, Sergio Mambert e Raul Cortez, no Teatro Anchieta, em São Paulo. Ouviu críticas da classe, que o recebeu como um intruso no meio. Aparicio nasceu pobre e ficou rico. Veio com a família para São Paulo ainda criança, de Itajaí, Santa Catarina. Nos anos 50, estudou pintura, mas desistiu da carreira quando viu artistas como Di Cavalcanti e Aldemir Martins em dificuldades financeiras. Mais tarde, cercou-se de obras de arte, colecionando telas de Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Carlos Prado e outros. Tornou-se comerciante, industrial e, em 1981, inaugurava uma exposição de 23 esculturas e 78 múltiplos (esculturas reproduzidas mais de uma vez) numa galeria de Nova York.
Sua perfumaria nasceu no fundo de um quintal de uma loja de presentes com o mesmo nome, Rastro, na Rua Augusta, em 1956, que veio a ser a primeira butique da cidade. Ali, em sociedade com uma amiga, ele começou vendendo praticamente tudo na área de roupas e adereços e acabou desenhando moda para as clientes. Em 1960, com o irmão João Carlos, químico, começou a fazer regularmente a colônia Rastro. O sucesso foi imediato. Depois de algum tempo, a colônia, num conjunto que também compunha sabonete e desodorante, tornou-se um negócio mais importante do que a loja que lhe dera origem, colocando-se bem num mercado altamente competitivo.
Em 1978, quando vigorava o autoritarismo, uma campanha publicitária lançada para promover o perfume aconselhava sugestivamente para todos os contatos irresistíveis de primeiro, segundo, terceiro ou qualquer grau. Emoldurando a peça, três fotografias eram apresentadas: a de um elegante casal, a de uma cena de carícia entre duas mulheres e a de um jovem e um homem de meia-idade posando juntos.
Um dos mais bem sucedidos self made man do país, Aparício comercializava também louças sob a marca Faiança, tecidos sob a marca Trama, bijuterias finas com pedras brasileiras e sachês, tudo encomendado a terceiros. Escreveu também um livro em inglês (A Romantic Is Born) e outro em francês (Moi Tout Nu ou Presque Nu). Aparício morreu aos 56 anos, em 26 de outubro de 1992. |